O ESPAÇO DO COTIDIANO | Grupo 15

 

ETAPA 4

CASA PAREDE: MAXIMIZANDO O MÍNIMO

 

Minimalismo cotidiano

Adotando a habitação como o lugar das práticas cotidianas, o projeto desenvolve uma cápsula de habitação de espaço mínimo. Um sistema compacto e autônomo, que permite seu acoplamento em pequenos vãos existentes na malha urbana das cidades.

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O programa de ações envolve atividades básicas do dia a dia como comer, dormir, cozinha, banhar e guardar.

 

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O sistema estrutural é composto por anéis modulares de aproximadamente 1,2m² de área útil, formados pelo encontro de duas peças em formato “C”, conectadas por trilhos nas suas extremidades, de modo a formar uma cápsula de cinco módulos articulados para formar um ambiente interno com um total de 6m².

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O espaço interior é definido por um sistema de medidas e proporções desenvolvido a partir de uma malha em escala modular estabelecida pela progressão numérica conhecida por Sequência de Fibonacci, na qual cada elemento da série é sempre o resultado da soma dos dois anteriores (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377). Isso promove uma escala que permite uma ocupação mais compacta nas bordas do anel.

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Os painéis de fechamento lateral complementam o sistema nas extremidades da cápsula, estabelecendo as instalações para acesso e ventilação da unidade.

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O mobiliário é de uso flexível que detém pelo menos quatro características: sentar, deitar, apoiar e guardar.

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A fixação no meio externo é feita por um sistema de molas que permite acoplamento e ajuste da unidade em pequenos vão existentes no contexto urbano.

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O espaço é pensado para abrigar não mais que 150 objetos entre roupas, acessórios, insumos, utensílios de cozinha, artigos de higiene:

(1) telefone celular; (1) computador portátil; (1) câmera fotográfica; (10) livros; (1) caderno; (1) caneta.

(2) pares de sapatos (4) pares de meia; (4) roupas de baixo; (4) casacos; (4) camisas; (4) calças;  (1) mochila;  (1) mala.

(2) toalhas; (2) sabonetes; (1) xampu; (1) condicionador; (2) rolos de papel higiênico;  (1) aparador de pelos; (1) escova de dentes; (1) creme dental; (1) cortador de unha.

(2) garfos; (2) facas; (2) colheres; (2) canecas; (2) pratos; (2) recipientes de comida; (1) tesoura; (1) ralador; (1) saca-rolhas/abridor de latas; (1) cafeteira; (2) panelas; (1) esponja; (1) detergente; (1) desinfetante; (4) panos.

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Os sistemas de infraestrutura são pensados de maneira a incorporarem-se na unidade, entre eles, controle de acesso remoto, tomadas USB e armazenamento digital.

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ETAPA 3

CASA PAREDE: MAXIMIZANDO O MÍNIMO

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Continuando os estudos sobre uma habitação de espaço mínimo, nessa etapa investigou-se a possibilidade de um sistema compacto seja capaz de ser acoplado em pequenas aberturas e interstícios da malha urbana.

Para isso, foi desenvolvido um sistema estrutural em anel, composto por duas peças de formato “C”, conectadas por trilhos nas suas extremidades, de modo a formar o módulo que compõe a capsula.

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A proposta inclui um sistema modular de pequenos anéis de aproximadamente 1,2m² de área útil, que são articulados para formar um ambiente interno com um total de 10m² (6,5m² no térreo + 3,5m² no mezanino). app_banca03_g157

O sistema de suas proporções foi desenvolvido a partir de um grid em escala modular construído pela progressão numérica conhecida por Sequência de Fibonacci, na qual cada elemento da série é sempre o resultado da soma dos dois anteriores (0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377). Isso promove uma escala que permite uma ocupação mais compacta nas bordas do anel.

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Cada anel oferece um conjunto de componentes e instalações que o faz um ambiente único, porém não exclusivo. São eles os lugares de chegar, estar, comer/trabalhar, cozinhar e banhar, articulados como cinco módulos verticais em um único ambiente; e sobrepostos por mais um outro ambiente (horizontal), onde se realiza a atividade de dormir.

diagrama

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O sistema estrutural ainda permite a expansão do módulo do anel, duplicando sua área, por meio da adição de dois painéis planos (de piso e cobertura) que aumentam a amplitude de sua abertura.

 

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ETAPA 2

ESTUDOS SOBRE OS ESPAÇOS MÍNIMOS

O que a gente precisa carregar conosco para fazer uma casa (porto seguro) em qualquer lugar (mobilidade, versatilidade da habitação)

diagrama cotidiano

  1. COTIDIANO: ação duradoura permeada pela repetição extensiva de atividades com pequenas variações. Com isso queremos dizer que o cotidiano não se dá em um espaço predefinido. Ao contrário, ele consiste na conformação temporal definida pela agenda individual de atividades de um sujeito, que se passa em diferentes lugares. Assim, entende-se que cotidiano é algo de caráter individual/único, isto é, é definido pelo sujeito e não pelo espaço.Rotulo do Cotidiano
  2. ESPAÇO DO COTIDIANO: A partir disso, poderíamos formular o espaço do cotidiano como o lugar que pode ser apropriado pelo sujeito de modo a lhe permitir compartilhar/ realizar suas atividades individuais (subjetivas), entre elas, habitar.
  3. Assim, sendo o espaço da habitação o cotidiano por excelência, esse trabalho tem por objetivo fazer o estudo da condição mínima necessária para que um usuário/indivíduo seja capaz de realizar a atividade de habitar, com uma característica de mobilidade da sua habitação. Por isso, OBJETIVO DO TRABALHO: oferecer a esse sujeito a mobilidade da solução que busca a mobilidade do espaço habitável – a ponto de torná-lo quase inabitável. No limite, para que o sujeito seja capaz de levar consigo os elementos necessários para habitar qualquer espaço da cidade.

casa parede

(a tensão, o limite entre o habitável e o inabitável)

1. Terrítório habitável vs. jungle city

A cidade pode ser vista como o campo de tensão entre os territórios seguros, conhecidos pelo usuário, e desconhecidos, ameaçadores ou a serem desbravados.

A exploração/descoberta da cidade acontece entre o âmbito das certezas e da insegurança que cada lugar pode oferecer/responder à demanda do usuário. Assim também, conhecido e desconhecido não são categorias estanques: o desconhecido pode ser apreendido, assim como o familiar pode em algum momento tornar-se estranho.

[vídeo Range Rover]

2. Entre o habitável e o inabitável

Jungle space – natureza selvagem, a cidade habitável como um lugar estranho

How to make safe, in a unsafe place, “um porto seguro para chamar de seu”

Jungle City

Oferecer o Range rover, SUV: para quem a cidade é tão desconhecida quanto a natureza selvagem. O SUV não rompe com a cidade. Ele a interpreta de outra maneira. Como fazer o sujeito circular por ambos os espaços com a possibilidade de habitá-los?

Território habitável = known place: território de forma abstrata onde o sujeito se reconhece a partir do lugar conhecido, lugar seguro. Portanto, o território ao qual você se associa é aquilo que você chama de lugar conhecido cotidiano não define por si um espaço, ele é somente um conjunto de atividades. Portanto, no âmbito do cotidiano, cabe ao usuário a possibilidade da interpretação sobre as atividades passíveis de se realizar num dado espaço. Não é um espaço de interpretação pronta, mas é construído a partir da escolha da atividade que é aplicada ao espaço, transformando-o em lugar. Porém, o usuário precisa de ferramentas para transformar o jungle space e território habitável?

Cotidiano envolve o habitar, e quais coisas a gente precisa para fazer ele acontecer:

O cotidiano não tem um lugar (único), ele é apenas a sua atividade, ou seja, lugar passivo, agente ator

O lugar dont brings the activity não traz consigo a atividade

Territory: its safeplace where you kwon; define is make it safe

(City: a place for Commercial issues

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Comunidades muradas (gated communities)

Conclusão: espaço privado é no seu avesso o espaço segregado)

3. Arquitetura do “abrigo”: roupa ou teto

 

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Selva: A arquitetura “defensiva” (ou ofensiva) e os meios de adaptar-se a ela no uso da cidade: a cidade construída para ser inabitável e as ferramentas para vencer essa adversidade. Em meio a um cenário onde os espaços são segregados muitas vezes nas mudanças onde as duras transformações ocorridas na cidade moderna não são aparentes, ” O fenómeno da “defensiva” ou “disciplinar” arquitetura, como é conhecido, continua a ser generalizada”  , a casa-objeto é investigada como uma relação mas aproximada na escala projetual, o corpo humano como medida e referencia para a construção desse estudo dos espaços mínimos a ponto de torná-lo quase inabitável. No limite, para que o sujeito seja capaz de levar consigo os elementos necessários para habitar qualquer espaço da cidade.

 

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ETAPA 1

[apresentação da questão]

“Todo dia ela faz tudo sempre igual”
Cotidiano – Chico Buarque

“Cotidiano”

Cotidiano: ação duradoura permeada pela repetição com pequenas variações

 

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão

Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor

 

Uma canção sem refrão: sequência de ações em desenvolvimento contínuo, sem que seja necessária uma conclusão.

Nesse sentido, a canção de Chico Buarque opera como um dispositivo capaz de evidenciar as atividades cotidianas imperceptíveis no tempo repetido: acordar, escovar os dentes, tomar café, trabalhar, cozinhar, almoçar, deslocar-se, tomar banho, fazer sexo.

 

[referências projetuais]

“Ortobom: um terço da sua vida você passa nele”
Slogan comercial de uma marca de colchões

“Um dia na vida”

Outro operador de evidências da vida cotidiana cotidianas analisado foi a programação de TV,  a partir do filme, Um dia na vida (2009), dirigido por Eduardo Coutinho. Trata-se de um “resumo forçado” de 19 horas de programação de oito canais de TV “pública” do Rio de Janeiro.

Imagens de "Um dia na Vida" (2009), de Eduardo Coutinho
Imagens de “Um dia na Vida” (2009), de Eduardo Coutinho

Uma espécie condensação do tempo que causa espanto a quem assiste, mas que serve como referência na configuração espacial em busca de uma redução conceitual sobre o espaço do cotidiano, a partir de seu método de construção.

Nota-se que a programação diária da televisão é predominantemente construída a partir da autorreferência à programação, na tentativa sempre de vender a si mesma. Assim, a repetição aparece como uma espécie de ferramenta de uma educação coletiva, no sentido de forjar um perfil de espectador-consumidor e difundir de um vocabulário de senso comum, por imagens, palavras, trilhas sonoras, podendo às vezes ser categorizado por idade ou gênero.

Neste caso, o esforço do diretor do filme mostra-se na edição em tempo real, que cria um discurso de contraponto entre violência e segurança; saúde e envelhecimento; silêncio e polifonia; sempre permeados por uma eterna promessa de transformação: o esforço cotidiano que sustenta a repetição do discurso.

 

[método]

 “Qualquer livro é tanto alheio quanto próprio”
Eduardo Coutinho, sobre o método de apropriação autoral

Citações

Ao sequenciar uma incansável série de citações de imagens de TV, Eduardo Coutinho procura colocar a figura do autor em questão, por meio da coleta e justaposição de imagens prontas.

Dessa maneira, sustenta a continuidade entre os meios:  criando um espaço virtual que se alimenta do próprio espaço, evitando sempre intervenção subjetiva e respeitando a verossimilhança das continuidades evitar a montagem falsa. Assim também ele se recusa a aceitar o material que tenha sido feito para outro meio, como, por exemplo, filmes da indústria cinematográfica que eventualmente são veiculados pela televisão – estes são recusados na montagem final.

 

[mapeamento as atividades]

“Every minute, every hour is different, you cannot go back,
every time is different but also the same thing.
We do the same thing but every hour is different.
That´s the way we understand life.”
Tehching Hsieh

Atividades do cotidiano

A partir das referências acima, e também do trabalho do artista Tehching Hsieh, decidiu-se realizar como ponto de partida um mapeamento das atividades cotidianas.

Tehching Hsieh é um artista, que desenvolveu nos anos 1980 um trabalho chamado One year performance: 1980-1981. Uma dessas performances consistia em registrar sua presença em um relógio de ponto diariamente a cada uma das 24 horas do dia. A cada vez que batia o ponto Tehching tirava uma foto. Ao final, todas elas foram reunidas para criar um filme em película 16mm que condensa em 60 minutos a sua transformação ao longo de um ano.

"One year performance: 1980-1981" - Tehching Hsieh
“One year performance: 1980-1981” – Tehching Hsieh

Foi, portanto, realizado um mapeamento dos horários semanais dos integrantes do grupo e de alguns voluntários, com o intuito de encontrar atividades cotidianas e sejam comuns a esses indivíduos e comparar suas durações.

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De início pudemos identificar ao menos três categorias distintas: atividades duradoras (que compõem a chama “vida dura” e que acontecem em espaços determinados); aquelas que chamamos de microatividades (repetidas porém não mapeadas; sem hora marcada), atividades de desvio (essas referentes ao tempo livre, que nesse momento não nos interessam, pois já foram estudadas em outra edição do EV).

 

[hipótese/proposta]

O espaço híbrido

Portanto, uma das conclusões iniciais aponta para o interesse em estudar as configurações de um possível espaço híbrido: que seja capaz de acolher no cotidiano do espaço público as microatividades restritas ao espaço privativo, de modo a evidenciar sua duração por meio de sua captura e exposição das repetições.

Um espaço cuja configuração é determinada pela duração das atividades que ali acontecem. Dessa forma, um espaço em que, ao expor a duração da performance cotidiana, não vemos o tempo passar.

Um lugar temporário, construído pela montagem de elementos prontos, que, sob o risco de ser adotado pelo cotidiano, pode permanecer ali por tempo indeterminado.