– + | Grupo 18

1ª Etapa

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2ª Etapa

O crescimento da cidade de São Paulo aconteceu principalmente na virada do século XIX para o século XX. Tal processo foi marcado por três principais momentos: chegada dos cafeicultores provindos do Vale do Paraíba, a industrialização, que contou com a vinda de uma grande leva de imigrantes e, consequentemente, a consolidação do espaço urbano.

A Barra Funda é um bairro que exemplifica esse processo através de tipologias arquitetônicas de diversos tempos. Os casarões do ciclo do café, os galpões e o trem do início da industrialização, os sobrados geminados que serviam de abrigo para os imigrantes italianos, os edifícios modernistas e a favela do moinho. Todos se encontram reunidos dentro de um raio com menos de 0.5km

Para cada momento histórico surgiu um novo desenho arquitetônico “contemporâneo” à época que se adiciona aos anteriores sem extingui-los, como se as diversas tipologias arquitetônicas ainda presentes hoje tivessem impedido de apagar a história do bairro. Dessa forma, a adição desses diversos tempos, deixou através da materialidade arquitetônica, um desenho de cidade como memória histórica.

Passeando pelo bairro, essa soma de tempos é muito perceptível, não só através dessas tipologias, mas também pelos aspectos culturais dos imigrantes. Ainda hoje, existem pessoas no bairro com sotaque italiano ou portugueses.  As rotisserias e padarias ainda exercem influência significativa no comércio. E, transpondo isso para o tempo atual, a quantidade das conhecidas “Casas do Norte” vem crescendo e, assim, trazem mais influências da cultura nordestina para o bairro.

Porém, mesmo com tantos resquícios históricos que o bairro conserva, alguns foram subtraídos pelo tempo. É o caso do Largo da Banana. Localizado onde hoje se encontra o Memorial da América Latina. No século 20 negros se reuniam nesse local para esperar a chegada do trem que trazia mercadorias do interior para a capital paulista. Nesses encontros surgiu o primeiro cordão carnavalesco de São Paulo; o Camisa Verde e Branca.

Assim, em meados da década de 50, o samba era um importante polo que atraía as pessoas para a rua, onde ocorriam os desfiles, principalmente na Avenida São João, localizada no bairro. Já na década de 80, o samba perdeu seu caráter popular, ficando restrito ao espaço isolado do sambódromo.

A mudança de caráter do samba é uma exemplificação do processo que ocorreu no cenário paulista, onde o espaço público foi sendo negado. Na Barra Funda, essa mudança é mais perceptível, pela maneira como a relação afetiva com o bairro foi se perdendo à medida que as pessoas pararam de utilizar a rua e os lugares de convivência, e passaram a se isolar nos condomínios murados.

Ao analisar o público infantil vemos o mesmo processo. Enquanto a classe média imigrante dos anos 70 morava nos sobrados, a rua era apropriada como lazer. Pega-pega, esconde-esconde e brincadeira de boneca. O espaço público não tinha restrições. O muro virava rede de vôlei e a janela da “tia chata” virava o gol. Com a adição de novos edifícios habitacionais que negam a cidade, o processo mudou. As crianças dos anos 2000 brincavam dentro dos prédios murados e majoritariamente com a sua classe social.

Com isso, identificou-se um processo de crescente desapropriação do espaço público. Atualmente o bairro se encontra fragmentado socialmente: as crianças de um colégio não conhecem as dos outros, os espaços de cultura não são usados pela população local, a favela do moinho parece que não existe para aqueles que não são da comunidade e as senhoras que ainda moram nos sobrados sentem-se acanhadas de ficar na rua para conversar. A situação mudou tanto que alguns moradores chegam a sair do bairro a procura de locais de convivo social de qualidade.

Diante disso, o trabalho se propõe a recriar essa relação de convívio, fortalecendo o uso do espaço público. Pretende-se criar uma “nova rua”, ou seja, resgatar através de um novo espaço público as qualidades que as ruas do bairro possuíam como espaços de convívio social.

O local escolhido para isso foi o espaço formado entre os trilhos das linhas de trem Santos Jundiaí e Sorocabana. Esse espaço, antes ocupado por uma indústria de cereais e pela estação moinho central, acabou ficando deixado ao acaso por muito tempo. Esse vazio, em 1969 foi divido na metade pelo viaduto Orlando Murgel. Assim, atualmente, em um lado fica a Favela do Moinho e do outro ainda restam as ruínas do que fora a indústria de cereais.

Nesse sentido, esse espaço é de grande importância na preservação da memória do bairro. Ele narra a maneira como foi consolidado o processo de industrialização nas proximidades, ou no caso, dentro do sistema ferroviário. Preserva a história da vinda dos imigrantes europeus e, posteriormente dos nordestinos e também a transição de uma cidade industrial para um polo econômico da era pós-industrial.

Além disso, a região escolhida e simbólica por mostrar uma cicatriz urbana que desfavorece a sociabilização entre os moradores do bairro. As relações entre os espaços dentro e fora dos trilhos não se comunicam de tal forma que alguns moradores chegam a desconhecer a favela do moinho mesmo morando a alguns quarteirões dela.

Invertendo essa lógica, o projeto propõe quebrar as barreiras sociais ao retomar a ideia da rua como espaço público de estar, que existia no bairro antes dos anos 2000, busca “costurar” os personagens das diversas tipologias existentes nesse cenário. Fazer com que Dona Maria, Manuel, Senhor Alberto, José e Laura possam compartilhar de um mesmo local e se reconheçam como moradores da Barra Funda, de uma forma que ultrapasse apenas o endereço, mas que avance em direção a uma identidade local.

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3ª Etapa

Seja através de brincadeiras, conversas, jogos ou até do samba; durante o desenvolvimento do trabalho identificou-se no passado uma forte apropriação da rua como espaço público. Diante dessas preexistências pretende-se resgatar a apropriação do espaço público como se as ruas da área de estudo voltassem a ter seu caráter público. Para projetar essa “nova rua” em um primeiro momento buscou-se um local nas proximidades com potencial de se tornar um espaço público atrativo. Porém o trabalho ao invés de criar um novo espaço público passou a investigar maneiras de diluir os elementos de separação entre o público e o privado. Com isso pretende-se requalificar o passeio público como incentivo para os personagens ultrapassarem os muros de suas respectivas tipologias.

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Entrega Final

O projeto levou em conta todas as somas e subtrações que foram identificadas no bairro tanto historicamente como fisicamente para encontrar os princípios desse projeto. Três aspectos foram tratados como diretrizes para a criação de uma “nova rua tipo”, que poderia ser replicada em todo Estado de São Paulo, exemplificada no nosso trabalho pela Alameda Eduardo Prado.

Os pontos que nortearam o projeto foram: melhoria no desenho do passeio público para o transeunte; criação de muros “equipados”; e um novo desenho de calçada inspirado no samba por causa da relação histórica do bairro com o mesmo

A ideia é padronizar o material das calçadas e das vias, criar uma calha técnica no subsolo, concentrar os mobiliários (lixeiras e luminárias) em um faixa de um 1 metro e deixar pelo menos 1,5 metros de passeio público livre.

O conceito dos “muros equipados” foi sintetizado na criação de uma Lei Estadual:Lei 18: Novas Fachadas Ativas

Assim, ao trabalhar os limites entre o público e o privado por meio desse muro equipado, a “nova rua” traz consigo um caráter mais humano. Ela traz a possibilidade de relocar o lugar de encontro do privado para o público para restabelecer um espaço mais democrático e qualificado para a cidade.

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Composição do Desenho de Calçada
Composição do Desenho de Calçada
Possibilidades de Módulo
Possibilidades de Módulo

 

 

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