O ESPAÇO DO COTIDIANO | Grupo 10

Bianca Araujo | Carolina Dentes | Clarissa Mohany | Conrado Takayama | Guilherme Paschoal

ETAPA 1

Untitled-3acorda . toma café . toma banho . beija as crianças . sai de casa . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá bom dia . senta. liga . lê email . lê . vai ao banheiro. enrola. conversa com o chefe . espera . cronometra a hora para o almoço . e agora . desce . almoça. enrola . sobe . lê email . trabalha . cronometra o fim do dia. desce . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá oi . cansado . senta . não quer conversa . liga a tv . espera o jantar . senta a mesa . engole . conversa . levanta . lava louça . tira roupa . põem pijama . deita . não fecha os olhos . lembra . escova os dentes . deita de novo . suspira . fecha os olhos . dorme . não sonha . acorda . toma café . toma banho . beija as crianças . sai de casa . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá bom dia . senta . liga . lê email . lê. vai ao banheiro . enrola . conversa com o chefe . espera . cronometra a hora para o almoço . e agora . desce . almoça . enrola . sobe . lê email . trabalha . cronometra o fim do dia . desce . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá oi . cansado . senta . não quer conversa . liga a tv . espera o jantar . senta à mesa . engole . conversa . levanta . lava louça . tira roupa . põem pijama . deita . não fecha os olhos . lembra . escova os dentes . deita de novo . suspira . fecha os olhos . dorme . não sonha . acorda . toma café . toma banho . beija as crianças . sai de casa . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá bom dia . senta . liga . lê email . lê . Vai ao banheiro . enrola . conversa com o chefe . espera . cronometra a hora para o almoço . e agora . desce . almoça . enrola . sobe . lê email . trabalha . cronometra o fim do dia . desce . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá oi . Cansado . senta . não quer conversa . liga a tv . espera o jantar . senta à mesa . engole . conversa . levanta . lava louça . tira roupa . põem pijama . deita . não fecha os olhos . lembra . escova os dentes . deita de novo . suspira . fecha os olhos . dorme . não sonha . acorda . toma café . toma banho . beija as crianças . sai de casa . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá bom dia . senta . liga . lê email . lê. vai ao banheiro . enrola . conversa com o chefe . espera . cronometra a hora para o almoço . e agora . desce . almoça . enrola . sobe . lê email . trabalha . cronometra o fim do dia . desce . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá oi . cansado . senta . não quer conversa . liga a tv . espera o jantar . senta à mesa . engole . conversa . levanta . lava louça . tira roupa . põem pijama . deita . não fecha os olhos . lembra . escova os dentes . deita de novo . suspira . fecha os olhos . dorme . não sonha . acorda . toma café . toma banho . beija as crianças . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá bom dia . senta . liga . lê email . lê. vai ao banheiro . enrola . conversa com o chefe . espera . cronometra a hora para o almoço . e agora . desce . almoça . enrola . sobe . lê email . trabalha . cronometra o fim do dia . desce . espera o ônibus . toma o ônibus . espera chegar . chega . dá oi . cansado . senta . não quer conversa . liga a tv . espera o jantar . senta à mesa . engole . conversa . levanta . lava louça . tira roupa . põem pijama . deita . não fecha os olhos . lembra . escova os dentes . deita de novo . suspira . fecha os olhos . dorme . não sonha . o que acontece no ponto?giphy

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ETAPA 2

Com o início da modernidade iniciada no século XIX, a violência destrutiva estava investida de um sinal positivo. Era preciso abolir as velhas barreiras para construir o novo. Haussmann demoliu trechos imensos da Paris medieval para construir seus grandes bulevares, isto é, a cidade moderna, a chamada “capital do século XIX”, a Cidade Luz, a metrópole dos pintores impressionistas e do flâneur de Baudelaire. A violência é a parteira das novas sociedades, diz Marx no Manifesto Comunista. Nietzsche professa a destruição alegre como princípio construtivo, uma filosofia construída com o martelo, diz ele. Para Walter Benjamin é uma cidade impessoal,da massa e,paradoxalmente, da individualidade. Uma cidade na qual o indivíduo se sente a vontade para ser algo que não se esperaria do mesmo. Neste contexto, o espaço público é palco para a celebração da vida. Traçar um elo entre este nascedouro da modernidade e os dias de hoje é essencial ao falarmos de espaço público. O que foi prefigurado ali é que a urbanização é o grande instrumento de estabilização econômica do capitalismo. No cruzamento entre capital financeiro e mercado imobiliário, a construção incessante, baseada na indústria da construção civil e na especulação de terras, disparou. A recente transformação de eventos esportivos em grandes negócios imobiliários, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, é um sinal claro disso.

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Desta forma o princípio da obsolescência, central para o capitalismo, deslocou-se das mercadorias para o próprio território. Cada vez mais os edifícios e as próprias cidades são construídos para durar menos. O lucro está na demolição e na reconstrução permanentes. E, nesse processo, a violência se normalizou, se despassionalizou, perdeu o componente construtivo contido na expressão “destruição criativa”. Com isso, tratamos o lado do uso como um elemento ativo também, o uso como uma parte significante da história, afinal o uso dos espaços das cidades muitas vezes os transforma e ressignifica. Exemplos em São Paulo: a Virada Cultural, o movimento a batata precisa de você, o Festival Baixo Centro, o intenso uso do Minhocão como parque aos domingos, a nova Praça Roosevelt, a batalha pelo Parque Augusta, a Av Paulista aos domingos e, é claro, as jornadas de junho. O nosso diagnóstico, diante disso, foi que se temos razão para sermos críticos e pessimistas diante da instância do fazer – essa “miamização”  – temos, por outro lado, razão para sermos positivos e otimistas diante do “usar”. Começamos a compreender um movimento, por parte da população, que está percebendo que é preciso garantir a instância pública na cidade, e que esse domínio público envolve, essencialmente, a noção de conflito.

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Atentamos nossa investigação ao especifico caso do sr. Neves. O senhor , que nas tardes arma suas mesas na frente da empresa ALMAVIVA para vender salgados, café, sanduíches e bolos. Atrás de suas mesas um relógio marca a hora do intervalo. Neste simples gesto, o comerciante entorpece as noções de público e privado. O doméstico invade a calçada. As toalhas xadrez retomam o estigma da casa da vó. O conforto do lar em meio urbano. O número 365 da consolação das 16h30 as 22h se transforma. Um microcosmo de uma sala de estar se instaura, e no período de um café com bolo você pode relaxar na calçada. É neste ambiente que inserimos nosso trabalho. Pensar em um mobiliário que mantenha essas características e que ajude o Sr. Neves é o grande objetivo do grupo.­

ETAPA 3

Nesta etapa tivemos como foco principal a releitura de todas nossas investigações feitas ao longo do semestre, analisando criticamente os grandes esforços e funcionalidades presentes em cada uma delas. Com isso, levantamos as principais necessidades requeridas pelo Sr. Neves e suas influências com relação à mesa atual e a outros modelos desenvolvidos. Entendemos, a partir disso, a existência de questões técnicas -mesa e encaixes –  e também práticas – recipientes sacolas e caixas – onde ambas englobam a principal questão abordada pela problemática do trabalho: o transporte.

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A partir deste estudo e de novas conversa com o Sr. Neves, compreendemos que sua maior vontade é duplicar sua maior mesa atua, resultando  em duas grandes mesas, o que facilitaria além do deslocamento, e o número de idas e vindas ao carro. Outras de suas vontades é que a mesa lateral continue delimitando seu espaço – o que lhe confere privacidade – e que o tenham mais mesas para os clientes.

Garradas térmicas, embalagens e coolers compõem o grande volume carregado em seu carro. Isso nos alertou para a dificuldade tanto de armazenamento quanto de transporte quando não se consegue uma vaga na frente de seu ponto.  Assim, surgiu a necessidade do desenvolvimento de um “armário”, feito de isopor, devido a sua leveza, e que transporte de modo compacto os elementos que vêm espalhados, conferindo maior praticidade em seu deslocamento, a partir da ideia de acoplá-lo a um carrinho desmontável para transporte e suporte.

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A mesa pantográfica, mobiliário retrátil muito utilizado por comerciantes ambulantes, se abre como objeto de análise por suas qualidades relacionadas à facilidade de montagem e compactabilidade. A praticidade de se ter uma mesa que permite reduzir-se a menos da metade quando fechada e que o tampo pode ser enrolado e facilmente transportado nos interessa muito, uma vez que o Sr. Neves precisa que todos os objetos caibam em seu carro – modelo Fiat Palio Fire.

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Em nossa investigação da mesa modelo pantográfico, chegamos em três materiais: elástico+madeira, alumínio e alumínio+madeira. O modelo com elástico, apesar de simples e leve, se mostrou ineficiente por não resiste as forças de compressão. Já o modelo integralmente de alumínio, além ser muito leve, funciona a partir de barras, assim como a pantográfica atual do Sr.Neves, sendo apenas um material diferente e mais caro. Desse modo pensamos também em um modelo que misture estes materiais que já se mostram eficientes, assim os pés continuariam a ser de madeira, mas os travamentos têm a leveza e resistência do alumínio.

O estudo realizado nesta etapa teve como objetivo analisar a mesa pantográfica do Sr. Neves, o que resultou em análises críticas de materiais, encaixes, funcionalidades e desejos. Neste processo, nos foram apresentados novos pontos e conceitos a serem vistos e revistos pelo grupo, possibilitando um caminho mais coeso e claro para a próxima etapa. Portanto, colocamos em questão as diferentes possibilidades de material que poderiam ser utilizados. Nossa vontade é projetar algo simples, possível de execução e com materiais de fácil acesso, suprindo os desejos básicos do nosso objeto de estudo.

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ETAPA 4

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Após a análise feita na última etapa do trabalho, o grupo focou em desenvolver os detalhes finais da mesa em relação aos encaixes necessários e o funcionamento do trilho que permite a articulação do modelo. Nesse processo, foram estudados catálogos de peças e perfis metálicos existentes no mercado, na procura dos elementos ideais para a construção da mesa.

Então, foi-se explorada a possibilidade do uso de perfis metálicos utilizados para caixilhos de janelas. A partir dessa busca foram encontrados os braços dos caixilhos Maxim-ar, onde o maior aproveitamento foi no trilho existente na estrutura, a qual permite o movimento requerido pela mesa pantográfica.

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Unindo quatro pares deste articulador de 60 cm de altura a ripas de madeira de 90 cm de altura, junto a barras de alumínio chapadas, que completam o comprimento necessário para a mesa alcançar os desejados 66 cm de largura, as quais são travadas por vigas de madeiras encaixadas nos pés da mesa, surge a mesa pantográfica desenvolvida pelo grupo e destinada para o Mr. Neves.

Além disso, seguindo a mesma lógica de praticidade da mesa, seu tampo foi inspirado na atual estrutura possuída pelo Mr. Neves, que se constitui em ripas de madeira que fazem a função estrutural de vigas e são unidas por um plástico/lona que realiza a tração necessária para o travamento dessas vigas sobre a mesa.  Em suas pontas foi colocado espécies de rebites, onde se conectam com parafusos presentes nos pés da mesa para poder fixá-la.

Nesta última etapa do trabalho foram enfrentados muitos obstáculos e dificuldades que interferiram nos objetivos finais do grupo. Além da necessidade de limitar o tamanho da mesa para apenas um modelo, a escolha do material falhou em promover uma boa articulação e resistência para a estrutura, por ser muito maleável. Apesar disso, o processo de estudo da mesa e das possibilidades existentes no mercado para a reprodução de uma estrutura pré-existente, além do próprio processo de construção, que alertou para problemas que antes não haviam sido enxergados, foi extremamente rico e gratificante.

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ETAPA 4

G10 –