G44 _ 24h RECONHECENDO SAO PAULO

Reconhecer São Paulo através da música foi o primeiro passo que o grupo deu no EV desse semestre: tentamos reconhecer um lado musical que a cidade tem e expira nas esquinas e em sua arquitetura. A primeira aproximação foi em encontrar uma maneira de tratar de uma coisa tão abstrata [ a música ] em relação ao seu oposto: algo tão físico, concreto e cheio de relação a tratar e combinar.

Depois de uma conversa o jornalista e um dos maiores especialistas em música popular brasileiro, Assis Ângelo, começamos a pensar: além dos espaços mais imediatos ligados a música – como o bairro do Brás, o Bixiga e o centro de São Paulo – qual seria o lugar/ momento em que a cidade vive a música de maneira mais intensa – tanto do ponto de vista de tamanho de evento como pluralidade de ritmos. Tínhamos que ser certeiros nessa escolha: a probabilidade de cairmos em um lugar/acontecimento imediato/óbvio deixando para trás a diversidade musical que a cidade tem era grandíssima. Uma cidade feita de imigrantes não tem como ser diferente. E ainda bem que é assim.

Chegamos então a um ponto em que não tínhamos saída: a virada cultural de São Paulo se mostrou alvo certeiro para o grupo e tínhamos três grandes razões para essa escolha: era o evento mais diverso [ pensando em ritmos musicais e público que se aglomeram no centro da cidade para as atividades culturais], o maior em tamanho [ chegando a um público de 4 milhões de pessoas em 2008] e por ser um evento planejado por um órgão público. Sendo assim, nossas pesquisas começaram em várias direções: entender o fiasco da virada de 2017 [ entender sua gestão/ e razões que levou o evento a ter menos que a metade do esperado], entender as razões do centro ser o grande polo/aglomerante de pessoas e atividades, assim como estudar se uma virada cultural expandida [ levada para unidades do Sesc e Céu mais distantes do centro da cidade] dava certo/era algo positivo.

Toda nossa pesquisa nos levou, em um segundo momento, a uma conversa com a Gabrielle de Abreu Araújo, Coordenadora de programação da Virada Cultural de São Paulo. Para ela nossas perguntas eram várias: quais eram os maiores desafios do evento – do ponto de vista da infraestrutura, da programação, da segurança, dos orçamentos -, como os organizadores lidavam com os espaços semi públicos como as várias galerias no centro – se o evento incluía esses espaços, como eram os acordos para eles fazerem parte do evento. Foi nesse momento que ela apontou um desafio da grande festa que nos chamou atenção: os entre palcos eram sempre um problema. E as razões eram várias mas principalmente o desafio que era colocado para a organização de planejar uma atividade ali que conseguisse conviver com o barulho/interferência de outras grandes palcos – isso para conseguir fazer com que o lugar continuasse vivo.

Ettore Sottsass Jr. – The Planet As A Festival, 1972

Essa foi então nossa principal motivação para interferir nesses locais e encontrar uma maneira de habitar e fazer com que aquele lugar vibrasse se tornou nosso grande desafio. Assim como o evento, queríamos que esses lugares fossem o mais plural possível: que ele conseguisse agregar a maior quantidade de interferências e atividades que convivessem “a parte” do evento. Que eles fossem motivados por desejos pessoais/grupos/entidades menores. Para isso, usamos a arquitetura como nosso facilitador e o andaime se tornou um importante suporte para esses acontecimentos que desejávamos. Sendo assim, propomos uma segunda pele para a cidade: e o mais legal é que ela poderia ser desenhada/pensada de acordo com desejos e situações especificas. Dessa maneira, o andaime se mostrou a ferramenta certeira para esse arranjos pois era fácil de se transportar e ele poderia se adaptar a diferentes situações e empenas da cidade.

Nessa segunda pele da cidade poderia acontecer diversas atividades: comércio de alimentos, espetáculos de música, teatro, dança, piqueniques, projeções, cinema ao livre, etc. Ao final do trabalho, percebemos que a música era um meio de se reconhecer um lugar familiar e muito querido. Esse meio proporcionava acontecimentos que ficariam para sempre na memória dos habitantes da cidade de São Paulo.