TEMPO LIVRE – G16

ETAPA 1

ETAPA 3

cro • nó • to • po
sm (do grego chronos, tempo e topos, lugar)

1. Espaço que, por não dirigir o olhar
ou a atividade do usuário e que devido
sua inserção urbana e dimensões,
acumulou, ao longo do tempo, significados
que extrapolam sua estrita espacialidade;
vazios públicos construídos que adquiriram
valor social, político ou sentimental
para a comunidade.

A práxis arquitetônica e seu aparato ferramental volta-se, usualmente, para o desenho de edificações que abrigarão atividades determinadas. Sua relação fundamental com o tempo é a permanência e sua relação com a funcionalidade e com a objetividade é íntima. Para tratar do tempo livre nesse contexto é preciso, no entanto, levar o imprevisível, o efêmero e o subjetivo na mais alta conta, escapando, portanto, da reflexão arquitetônica cotidiana. Deve-se contrapor a perenidade e rigidez das edificações à subjetividade e heterodoxia dos seus usuários e do território no qual serão implantadas.

Entende-se, portanto, que a tectônica e o desenho do objeto são insuficientes para o tratamento do tema proposto. A manifestação plena do tempo livre na cidade só ocorre a partir da indeterminação programática – deliberada ou não – de um espaço público, cuja escala e implantação possibilitam o trânsito e a permanência simultaneamente. À medida que a comunidade ressignifica esses espaços através de sucessivas apropriações imprevisíveis, legitima-se seu caráter público e reforça-se, por conseguinte, a identidade do território e daqueles que o vivenciam; à arquitetura cabe amparar o maior número de usos e percepções que extrapolam sua estrita funcionalidade, possibilitando, de tal sorte, a manutenção de um ambiente fértil de encontro, um lugar cuja vitalidade exprima a pluralidade saudável da vida urbana. Uma placa de petri.

Um cronótopo.

Doravante, busca-se uma aproximação do Campo Limpo que amplifique a potencialidade dos espaços existentes que, por excelência, amparam o tempo livre da comunidade local em sua especificidade. A análise, a priori, contempla a apropriação espontânea de vazios urbanos, e, a partir de extensa observação, elencam-se os fenômenos que reiteram a vitalidade do território.

A sobreposição imagética resultante é, portanto, uma especulação fenomenológica que pretende amplificar o potencial cronotópico do lugar. Ela não deriva de um anseio higienista ou demiúrgico, mas da tentativa de incorporar apropriações existentes e desejos da comunidade numa conjectura imagética de forma a valorar a vitalidade cívica do espaço, ressignificando-o, por fim, como cronótopo.