TEMPO LIVRE – G30

Eduardo Amaral de Mello Pinto, ANA Helena Colucci, Paula Maíra Renna Palermo, Mariana Nogueira Geraldo, Carla Marcela Papagayo Molina

ETAPA 1

ETAPA 3

A questão do tempo livre está diretamente associada ao trabalho e também às diferentes formas de apropriação do espaço público. Ao entender tal proposta dentro do contexto das regiões periféricas, especificamente do Campo Limpo, não podemos deixar de abordar a condição do processo de formação e reafirmação da ocupação da cidade de São Paulo.

As condições referentes à saturação de empregos nas regiões centrais e a de ‘‘cidade dormitório’’ nas regiões periféricas ressaltam um enorme esforço de locomoção diária da população, que perde de quatro à cinco horas por dia para ir e voltar do trabalho, tempo esse que é perdido não da sua jornada de trabalho, mas sim do tempo disponível para realizar suas outras atividades. Está na realidade de grande parte da população, principalmente das mulheres, uma dupla ou até tripla jornada de trabalho, onde além do emprego ainda existem funções domésticas à realizar. Tal situação é perversa, além da dificuldade de acesso aos programas e espaços públicos que estão concentrados nas regiões centrais é necessário um deslocamento diário para poder realizar uma necessidade básica, que é o trabalho.

Dentro deste contexto, entendemos que é complicada intervenção em lugares consolidados, e que existe um processo que ainda está em construção e que é passível de uma intervenção clara e real, que foge do âmbito de um projeto que não virá a ser realizado.

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Os movimentos de moradia são uma importante forma de conquista, de pressão e de organização social e política, onde no ambiente da cidade contemporânea são a forma mais próxima de realização das demandas sociais. Através de organizações ativas conseguem colocar em prática suas demandas e participar também de decisões políticas dos rumos da cidade, como foi o caso da revisão realizada no plano diretor de São Paulo sobre as Zonas Especiais de Interesse Social. É dessa forma que também conseguem e demandam a mudança na lógica de produção dos programas habitacionais existentes, como é o caso do Minha Casa Minha Vida Entidades, uma vertente onde a organização autogestiona o processo de elaboração e de construção das futuras habitações. É nesse caráter de construção que encontramos uma forma efetiva de intervir em questões que ultrapassam as discussões das unidades habitacionais e colocam as pessoas em contato com a cidade através da construção de espaços coletivos. Espaços esses que podem ser utilizados e também revistos como um incentivo a novas formas de habitar e de trabalhar, que possam pensar em atividades geradoras de renda que sejam próximas ao local de moradia, imaginando uma escala de um bairro acessível e com diversas possibilidades, que ultrapasse os portões e os muros dos conjuntos habitacionais pensados nos dias de hoje onde não é permitido o uso misto e tampouco é pensado o espaço coletivo da cidade.

No ambiente do questionamento e da demanda de espaços e de diferentes políticas públicas que possam garantir os direitos básicos sociais assegurados na figurativa constituição brasileira é necessária também uma estratégia de luta que denuncie a falta de ações governamentais que busque acima de tudo uma sociedade justa onde todos possam viver com qualidade de vida.

Ao entrar em contato com tais organizações se faz necessária uma metodologia de atuação onde sejam conhecidos além dos processos burocráticos para a conquista desses espaços, uma nova forma de se elaborar o projeto de tais futuras habitações de forma conjunta e participativa. O projeto passa por uma formação política, onde o desenho não possui somente a função tecnocratizada de impossível acesso para leigos, mas também busca entender formas de conversar e construir tal processo pensando não somente no espaço individual, mas também um questionamento construtivo da cidade.

Uma nova metodologia de projeto auxilia no processo de construção de sonhos, e na esperança de melhores condições de vida se baseia na construção coletiva de novos espaços e relações que qualifiquem e potencializem o tempo livre, onde através da associação dos futuros moradores haja um questionamento do espaço existente e a elaboração de novas formas de trabalhar e morar. Contando também com uma revisão crítica do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, de seus princípios, e da ausência da participação popular, entendendo a autogestão também como a construção de comunidades ativas e mobilizadas e a arquitetura como a construção coletiva do espaço livre.

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