MPMF_G24 – Crianças na Cidade

Etapa 02

Pensando no crescimento do ser humano e na sua relação de desenvolvimento pessoal, até a sua relação com o externo, entendemos que o momento crucial da vida é a idade que entramos no meio coletivo, onde se começa a frequentar ambientes além da família. Para entender um pouco melhor, nos aproximamos da EMEI Armando Arruda, localizada na Praça da República. A escola promove passeios semanais com os alunos para a Biblioteca Monteiro Lobato, onde as crianças fazem um percurso a pé de aproximadamente 500 metros até a Praça Rotary.

É clara a importância do contato da criança com o espaço da cidade e como o acesso infantil é limitado num lugar como o centro de São Paulo, onde os aspectos físicos de circulação e organização urbana, até a hostilidade sensível da cidade, não contribuem para o ideal de acessibilidade para todos os públicos. Porém, mesmo com todas essas dificuldades, é essencial que esse contato exista, justamente pelo desenvolvimento da percepção e do entendimento daquilo que é público, do que pode ser usado por todos e de como o uso da cidade precisa ser incentivado.

É interessante pensar o que esse trajeto proporciona para as crianças que seguem esse percurso semanalmente e como o espaço também se transforma com a passagem delas. O caminhar e o vivenciar a cidade já tem em sua própria ação um caráter educador, uma possibilidade de aproximação a realidades, experiências e objetos. A arquiteta Mayumi de Souza Lima fala sobre a importância da vivência da cidade como um espaço educativo.

“Espaços para a educação são as cidades, as praças, as ruas como hoje elas existem; são as construções que nos cercam; são os bairros periféricos que crescem em torno das grandes cidades; são os volumes e as cores, os materiais naturais e produzidos….; são, enfim, cheios e vazios dentro dos quais as nossas experiências se processam. São educativos, na medida em que refletem e representam a realidade brasileira, com sua cultura, seu nível tecnológico, suas condições de clima, a estrutura sócio-econômica de sociedade; são educativos, porque através deles pode-se descobrir, com os participantes, como e porque são e como são. E, finalmente, são educativos, se através das ações sobre esses espaços, os participantes puderem apropriar-se dos mesmos, criando-lhes novas formas de uso, encontrando novas formas de relacionamento entre eles.” (LIMA, Mayumi Souza. “Espaços educativos”. I Seminário de Educação pela Arte. Rio de Janeiro. 1977).

Portanto, qualquer espaço pode se tornar um lugar de aprendizado desde que um grupo de pessoas dele se aproprie, dando-lhe este caráter positivo, tirando-lhe o caráter negativo da passividade e transformando-o num instrumento ativo e dinâmico da ação dos seus participantes.  Através do entendimento desse percurso como um espaço educativo, temos como objetivo intervir nesse trajeto de acordo com os espaços analisados pela arquiteta Mayumi, como espaços de alegria, de poder, de proteção, de descoberta, de liberdade. Deste modo, busca-se estimular positivamente nas crianças o desenvolvimento e as experiências do viver, do conviver, do pensar e do agir conseqüente.

 

Etapa 03

Entendendo que o espaço da cidade é um espaço de aprendizado para as crianças, o grupo acompanhou as crianças da EMEI Armando Arruda em um trajeto que ia desde a creche, que se localiza na Praça da República, à biblioteca Monteiro Lobato, que está na Praça Rotary. No percurso, tivemos um contato mais próximo com as  delas e começamos a entender como e o que elas observam na cidade. Depois de feito o trajeto, voltamos a EMEI algumas vezes para fazer quatro atividades que tinham como assunto principal a cidade e como as crianças se relacionam com a mesma, tendo como registro o desenho. A primeira atividade foi entorno de duas perguntas principais: “O que você vê na cidade?” e “Como você gostaria que ela fosse?”.

A segunda foi entorno do percurso entre a casa das crianças e a escola, tendo como questionamentos principais o deslocamento delas e o que elas observam na paisagem. A seguinte continuou com o tema a casa e a escola, mas em outra dinâmica. A conversa e os desenhos foram sobre as diferenças entre a casa e a escola, deixando claro para o grupo como as crianças estão entrando em contato com três universos diferentes: eu, nós e a cidade. Podemos notar, então, com essas atividades, que as crianças percebem a cidade e suas conexões. Entretanto, observamos que elas tinham uma limitação no repertório na hora de desenhar e que muitas vezes os desenhos não dialogavam com a própria conversa. Por isso, na quarta atividade, optamos por fazer uma roda de conversa, pois achamos que dessa forma conseguiríamos entender melhor como as crianças veem a cidade.

Nesta roda de conversa, mais do que objetos, elas contaram como se sentiam na cidade, e sentimentos de medo, alegria e surpresa foram identificados. Assim, pudemos voltar aos desenhos e entendê-los melhor para que a análise sobre eles fosse mais profunda. Entendemos a diferença do campo visual das crianças e dos adultos e que isso interfere diretamente na relação que elas têm com a cidade. A partir disto, pretendemos desenvolver um material que explicite a cidade vista pelas crianças e que demonstre para elas o nosso ponto de vista sobre a mesma.

Etapa 04 – Final

Através do entendimento desse percurso e sua relação com as crianças buscávamos estimular positivamente nas crianças o desenvolvimento e as experiências do viver, do conviver, do pensar e do agir conseqüente.
Com essa intenção iniciamos uma série de atividades e de passeios junto à elas. Fizemos o percurso da Creche até a Biblioteca Monteiro Lobato, desenvolvemos desenhos com intenções e temas distintos e tivemos algumas conversas em conjunto. Tudo com a intenção de compreender a persepção delas sobre a cidade. A segunda foi entorno do percurso entre a casa das crianças e a escola, tendo como questionamentos principais o deslocamento delas e o que elas observam na paisagem. A seguinte continuou com o tema a casa e a escola, mas em outra dinâmica. A conversa e os desenhos foram sobre as diferenças entre a casa e a escola, deixando claro para o grupo como as crianças estão entrando em contato com três universos diferentes: eu, nós e a cidade (todos). Pudemos notar, então, com essas atividades, que as crianças percebem a cidade e suas conexões. Entretanto, observamos que elas tinham uma limitação no repertório na hora de desenhar e que muitas vezes os desenhos não dialogavam com a própria conversa. Por isso, na quarta atividade, optamos por fazer uma roda de conversa. Nesta roda de conversa, mais do que objetos, elas contaram como se sentiam na cidade, e sentimentos de medo, alegria e surpresa foram identificados.
Com essas atividades, temas e questões foram identificadas. E produzimos, por fim, dois livros, como produtos finais. O primeiro, de ilustrações para questionar e de certo modo, ensinar as crianças sobre a cidade. O segundo, com a intenção de organizar essas trocas que vivenciamos ao longo de seis meses em contato com as crianças.Esses livros representam uma certa compilação do processo, e são, de uma certa forma, a continuação das atividades. Em um primeiro momento, as crianças desenharam para nós, e agora, enfim, nós desenhamos para elas.

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