PASSAGENS – G04

GABRIEL CESAR DA COSTA E SILVA, LUNA COUTINHO FONSECA, GABRIEL DE PAULA BISELLI, JULIA GIOVANNETTI BRUCKMANN SOARES

1ª ETAPA

 

Cada época sonha a seguinte.

Michelet, Avenir! Avenir!

 

 

Em Paris, capital do século XIX, Walter Benjamin descreve o turbilhão que alimentou o conjunto de experiências que entendemos por “modernidade”.  No recorte utilizado, Benjamin destaca o impulso gerado a partir do emprego do ferro e da energia a gás, sobretudo em construções para fins de trânsito – como as galerias, as salas de exposições e as estações ferroviárias. A locomotiva e as grandes exposições universais tornam-se iconografia dos agitados deslocamentos e fetichização da mercadoria. As classes dominantes, estimuladas por uma série de benefícios, fazem história através de seus negócios. Esses empreendimentos começam a tomar conta da paisagem de um mundo dicotômico cujos processos de modernização mesclavam-se com as ruínas e os arcaísmos de um passado recente. A economia da industrialização, que normalmente se caracterizava pela exploração de uma única atividade, propiciava o surgimento de  aglomerados urbanos colocando em xeque campo e cidade.

 

Concomitantemente ao período descrito pelo filósofo alemão, o aperfeiçoamento internacional dos meios de transportes permitia ao Brasil assegurar a sua economia em um quase único produto de exportação: o café. Este gradativamente ganhou espaço como um bem de grande valor comercial e possibilitou o surgimento, aqui, da “single-enterprise” ferroviária: “The São Paulo Railway Co. Ltd.”. A ferrovia trouxe da Europa uma tecnologia inaugurada a partir da invenção do vapor, mas, aqui em São Paulo, enfrentou o desafio de vencer o grande desnível que separava o planalto paulistano da baixada santista, ou seja, a ligação das principais regiões produtoras do café ao seu terminal exportador, o porto de Santos. A solução deste grande problema exigiu muito tempo e demandou grandes capitais bancados pela Inglaterra.

 

 

1. Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.

2. Procurou-se depois a adaptação à topografia local, ao escoamento natural das águas, à melhor orientação, arqueando-se um dos eixos a fim de contê-lo no triângulo equilátero que define a área urbanizada.

COSTA, Lucio. Relatório do Plano Piloto de Brasília, 1957.

 

 

É portanto, a partir desse campo imagético que nos debruçaremos sobre a região do Alto da Serra, hoje conhecida como Vila de Paranapiacaba. A “cidade-passagem” por excelência encontra-se hoje submersa em si mesma graças a perda de sua função vital. Com exceção à ponte metálica que cruza a linha férrea e conecta a cidade alta (mais recente) com a cidade baixa (mais antiga) há uma porção de “objetos mortos” que foram sedimentados nessa espacialidade: a igreja, o relógio, a escada e a casa do engenheiro (atualmente uma espécie de museu). As propriedades simbólicas, históricas ou potenciais desses elementos nos despertam uma vontade de ativá-los através de um gesto que os afastem dessa atmosfera antiquada e caricata da cidade e que compreenda sua complexidade geográfica. A escolha de uma seção longitudinal questiona o núcleo formador desse território e as transposições verticais e horizontais, fortemente marcadas pelo cruzamento de edificações lineares, que o compõem.

secção geológica da serra da cantareira ao maciço de santos

 

corte

 

planta

maquete

 

2ª ETAPA

O LUGAR

“Cada época sonha a seguinte.”

Michelet, Avenir! Avenir!

Em Paris, capital do século XIX, Walter Benjamin descreve o turbilhão que alimentou o conjunto de experiências que entendemos por “modernidade”.  No recorte utilizado, Benjamin destaca o impulso gerado a partir do emprego do ferro e da energia a gás, sobretudo em construções para fins de trânsito – como as galerias, as salas de exposições e as estações ferroviárias. A locomotiva e as grandes exposições universais tornam-se iconografia dos agitados deslocamentos e fetichização da mercadoria. As classes dominantes, estimuladas por uma série de benefícios, fazem história através de seus negócios. Esses empreendimentos começam a tomar conta da paisagem de um mundo dicotômico cujos processos de modernização mesclavam-se com as ruínas e os arcaísmos de um passado recente. A economia da industrialização, que normalmente se caracterizava pela exploração de uma única atividade, propiciava o surgimento de  aglomerados urbanos colocando em xeque campo e cidade.

Concomitantemente ao período descrito pelo filósofo alemão, o aperfeiçoamento internacional dos meios de transportes permitia ao Brasil assegurar a sua economia em um quase único produto de exportação: o café. Este gradativamente ganhou espaço como um bem de grande valor comercial e possibilitou o surgimento, aqui, da “single-enterprise” ferroviária: “The São Paulo Railway Co. Ltd.”. A ferrovia trouxe da Europa uma tecnologia inaugurada a partir da invenção do vapor, mas, aqui em São Paulo, enfrentou o desafio de vencer o grande desnível que separava o planalto paulistano da baixada santista, ou seja, a ligação das principais regiões produtoras do café ao seu terminal exportador, o porto de Santos. A solução deste grande problema exigiu muito tempo e demandou grandes capitais bancados pela Inglaterra.

  1. Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.
  2. Procurou-se depois a adaptação à topografia local, ao escoamento natural das águas, à melhor orientação, arqueando-se um dos eixos a fim de contê-lo no triângulo equilátero que define a área urbanizada.

 

COSTA, Lucio. Relatório do Plano Piloto de Brasília, 1957.

É portanto, a partir desse campo imagético que nos debruçaremos sobre a região do Alto da Serra, hoje conhecida como Vila de Paranapiacaba. A “cidade-passagem” por excelência encontra-se hoje submersa em si mesma graças a perda de sua função vital. Com exceção à ponte metálica que cruza a linha férrea e conecta a cidade alta (mais recente) com a cidade baixa (mais antiga) há uma porção de “objetos mortos” que foram sedimentados nessa espacialidade: a igreja, o relógio, a escada e a casa do engenheiro (atualmente uma espécie de museu). As propriedades simbólicas, históricas ou potenciais desses elementos nos despertam uma vontade de ativá-los através de um gesto que os afastem dessa atmosfera antiquada e caricata da cidade e que compreenda sua complexidade geográfica. A escolha de uma seção longitudinal questiona o núcleo formador desse território e as transposições verticais e horizontais, fortemente marcadas pelo cruzamento de edificações lineares, que o compõem.

O DESENHO

O projeto imagina uma solução de modo eficiente e radical. Implantada neste terreno, neste lugar – uma paisagem penetrada de modo plausível, uma ideia consolidada.

MENDES DA ROCHA, Paulo. Memorial descritivo do projeto CAMPUS FGV, 1995.

Em uma atitude deliberada de ordenação, assumimos a ponte como o eixo estruturador da topografia excepcional. Porém, mantendo alguns resquícios da fragmentação existente, deslocam-se elementos-praças da linha principal. Esses pontos, enquadram e atribuem valor à paisagem. As aberturas referem-se à memória e a história do lugar. A linha é uma leitura do território na medida em que se desdobra em ponte, túnel, fenda, pátio – informa ao transeunte suas variações. As novas conexões garantem maior objetividade e flexibilidade às transposições horizontais e verticais e, oferecem ainda, a surpresa e o deleite.
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3ª ETAPA

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