PASSAGENS – G17

MATHEUS CAMEROT MOLINARI, SOFIA VILLELA BORGES, VINICIUS MARA PIRONDI, ARTUR BUONPATER DUARTE CORRÊA, VICKY BERL

1ª ETAPA

Bom Retiro – Passagem da Casa do Povo

A região do Bom Retiro se mostra como área de interesse pois apresenta várias características comuns na cidade de São Paulo, como; a forte relação com o trabalho; a falta de espaços públicos a serviço da comunidade local; a falta de áreas verdes e livres; a predominância do transporte motorizado individual; a falta de fluidez do percurso destinado ao pedestre, entre outros fatores que são gerados por –porem não apenas – uma visão de cidade consolidada e reproduzida na atuação política que coloca o indivíduo em segundo plano.
O bairro recebe cerca de 70 mil pessoas por dia, principalmente por conta de comércio atacadistas, mas também conta com mais de 30 mil moradores. Ainda assim a região tem calçadas predominantemente estreitas e os espaços coletivos são escassos.
A Casa do povo aparece nesse contexto como contra fluxo dessa lógica. Fundada na década de 50 por imigrantes em memória aos judeus mortos no genocídio nazista, o Instituto Cultural Israelita Brasileiro (ICIB) não apenas tem uma relação com o passado, mas também colabora com uma diversidade de novos projetos de criação e de inserção na cidade.
“Nesta Casa, parte-se da necessidade da memória para abrir-se a outras causas e grupos, tornando, assim, a memória um ponto de partida e não apenas um ponto de chegada, em permanente troca e ressignificação.” (caderno Nossa Voz, produzido pelo instituto em 2014)
A Casa conta com 4 andares e um teatro no subsolo – o Teatro Taib, com capacidade de 500 pessoas, porem abandonado e com graves infiltrações. Além de recentemente abrigar a feira anual Tijuana de Arte e Impressa, que reúne centenas de pessoas no local, algo que a há muito não se via.
Hoje, a casa tem 60 anos de história, que segundo a própria instituição: “inspira novos sonhos e projetos”. E de fato inspirou.
Ao visitar a Casa do Povo o que chama a atenção não é apenas o edifício de arquitetura moderna da década de 50 com estrutura independente de concreto armado – que proporciona uma pluralidade de usos -, mas também um terreno, atualmente subutilizado por um estacionamento em frente à Casa. Esse terreno sai da Rua Três Rios, corta a quadra e termina em uma rua sem saída, essa por sua vez desemboca na Rua Prates.
Essa situação gera um potencial de criar um fluxo contínuo que passa pelo miolo de quadra até a cobertura do edifício, evidenciando um eixo já existente na cidade.
O proposito de levar a cidade para dentro do edifício, apropriando as novas cotas de nível oferecidas pela construção preexistente ao espaço público, possibilita uma inusitada passagem visual, que alcança novos destinos, mesmo que virtuais. Essa possibilidade vem de uma leitura do prédio – tanto de sua arquitetura, com térreo convidativo, quanto de sua história, sempre aberta para a comunidade.
Também se faz importante a noção de passagem como condição que abriga espaços de coexistência, ou seja, não apenas como mudança de um ponto A para o ponto B, mas como oportunidade de abrigar espaços coletivos, que proporcione uma pluralidade de usos: desde o encontro ao exercer da solidão.

3ª ETAPA