– + | Grupo 27

Diego Pinheiro | Laura Tomiatti | Clarissa Mohany | Camila Campos | Natasha Asmar

1ª Etapa

O interesse do grupo a partir da proposta apresentada, era estudar referências onde elementos ou projetos contivessem em si a dualidade do tema proposto. O processo permeou-se através de inúmeras referências trazidas pelos membros do grupo em que essa situação era latente em diversas linguagens e aspectos.

A partir dessa leitura, percebemos que em muitas delas essa relação era estabelecida a partir de um elemento essencial e muito presente em diversas manifestações cotidianas – a água – e que esse próprio elemento continha em si a dualidade sempre presente, seja por seu próprio uso ou opressão do mesmo, pelo seu movimento, por sua falta ou abundância, e principalmente pelo seu provocado distanciamento do contexto da vida urbana.

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Nos questionamos, assim, a pertinência de trabalhar, nessa primeira etapa, o elemento água e a maneira como essa adição e subtração se apresenta no meio urbano. Passamos a pesquisar referências de projetos que tiveram um tratamento nesse sentido. Em um segundo momento mapeamos situações na cidade de São Paulo que traziam em seu contexto essa relação a partir da água e começamos a questionar também a possibilidade de sugerir um novo tratamento para a situação existente em contextos como rios canalizados, piscinões, áreas alagáveis, as próprias várzeas dos rios e também os rios que estão presentes no meio urbano, mas que não podem ser usados pela população. Em todas essas situações é notória uma série de problemáticas provindas da ocupação opressiva da natureza pela sociedade no seu contexto urbano.

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Em nossa estratégia de trabalho, pensamos em mapear situações como as citadas acima dentro de São Paulo, e trabalhar em cima da possibilidade de aproximar novamente a natureza do meio urbano e questionar se os usos estabelecidos a partir dessa opressão da natureza poderiam continuar se a mesma tivesse sido tratada de forma menos violenta e opressiva.

Nosso interesse nesse momento é questionar se para o crescimento da cidade era realmente necessário que tratássemos a natureza dessa forma e acabássemos, como no caso dos rios, com 4 mil quilômetros quadrados, dando lugares a ruas e avenidas. A intenção é aprofundar o questionamento: se esses lugares permitiriam as mesmas relações e usos que vemos nos dias de hoje, caso a água ainda fosse presente.

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Em uma próxima etapa, o interesse é escolher algumas dessas situações estudadas e propor uma nova leitura e relação da cidade à natureza considerando todo o contexto em que se encontra e como é aproveitado pela população.

2ª Etapa

São os movimentos de subtração e adição que constroem e movem nossos centros urbanos. Essas medidas se intensificam a medida que o homem interfere nos processos naturais.
Percebemos a água como um elementos que expressa em si essa dualidade – o mesmo elemento que negamos no processo de urbanização. Deste modo, se constrói uma série de investigações sobre a formação da cidade de São Paulo a partir da água, o objeto de estudo.

dualidade elemento água

Estendendo o tema para a metodologia de trabalho, buscamos acrescentar possibilidades ao negativo da realidade, ou seja, trabalhar no projeto do que não foi. Pensar a cidade de São Paulo hoje com uma nova infraestrutura fluvial, permitindo os mesmo usos que a configuram, porém sem a opressão dos rios.

O trabalho se desenvolve, portanto, a partir de um vínculo entre realidade e abstração. Um mapeamento geral das águas do município e a pesquisa mais aprofundada de 3 bacias escolhidas como possibilidades de estudo e projeto, dão base para as provocações de como a relação desses espaços com os rios poderia ter sido pensada.

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Esperamos que essa leitura do passado e projeção do inexistente nos guie a uma proposição, não menos provocativa, porém mais concreta, no percurso completo de um dos córregos estudados.

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3ª Etapa

A água como elemento em constante movimento reflete as relações de adição e subtração que constroem e transformam nossa cidade. Esses mesmos processos, porém, negaram de forma contínua nossos recursos hídricos, subtraindo-os tanto fisicamente (canalizações) quanto subjetivamente (poluição e isolamento) da vivência da cidade.

Após etapas de reflexões, abstrações, estudos e levantamentos, concluiu-se que essa subtração da água não foi essencial para a adição da cidade como ela se constitui atualmente: essas medidas poderiam ter sido balanceadas de outras formas, sem que os usos e características que fazem de São Paulo esse efervescente centro urbano se perdessem.

O Córrego Pacaembu apresentou-se como uma síntese de nossa pesquisa sobre as relações entre a água e a cidade, convergindo todos os temas levantados – piscinão, várzea, córrego aparente, córrego canalizado – em uma extensão controlada, o que permite lidar com o corpo d’água desde seu afloramento até o desague.

 

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Ao mesmo tempo, o Pacaembu percorre três malhas urbanas muito distintas e com usos igualmente diversificados: desde a morfologia orgânica de um assentamento nos moldes de “bairro jardim” planejado pela Cia. City, no qual prevalece o uso residencial unifamiliar de alto padrão, até os grandes lotes industriais na várzea do Rio Tietê, cruzando uma densa área mista e espaços significativos para a vida urbana, como o estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, a praça Charles Miller, a avenida Pacaembu e a Fábrica do Samba.

Além de devolver a água à cidade, a intervenção busca colaborar para um processo educacional e de conscientização dos que nela habitam. Um exemplo dessa vontade pode ser percebido na busca que o projeto faz de estabelecer um diálogo entre um Centro de Educação Infantil (CEI) existente na avenida Pacaembu com o ambiente requalificado da mesma.

Desta forma, reconverter o percurso do Córrego Pacaembu se constitui em projetar uma síntese de possibilidades de reaproximação do espaço urbano e daqueles que dele usufruem com a água, possibilidades essas que poderiam servir de exemplo e até mesmo ser incorporadas em outros espaços da cidade, sem maiores alterações nos usos mais expressivos e característicos preexistentes.

 

 

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4ª Etapa

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O crescimento demasiado de São Paulo, no início do século XX, fez com que os cursos d’água cedessem seu espaço a largas avenidas, conforme o desenvolvimento urbano local. O córrego Saracura, localizado no bairro do Bixiga, foi o primeiro a ser coberto, já em 1906. O córrego do Pacaembu, assim como o Saracura, sofreu do mesmo destino quando foi enterrado pela Cia. City nos anos 1920 para a construção do bairro do Pacaembu. O que pouco se sabe é que em algum momento planejou-se dar ao córrego um destino muito mais digno: ele continuaria correndo a céu aberto e alimentaria “bellos lagos artificiaes”, como anunciado pelo jornal Estadão em 03 de janeiro de 1913:

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O plano, porém, não foi realizado e a paisagem que se construiu ao longo dos anos foi a mesma que encontramos na maior parte São Paulo – mais de 300 rios, córregos e riachos que correm sob o asfalto.

“Os rios estão enterrados na cabeça das pessoas. Houve um processo educativo que levou a população a achar que os rios enterrados eram melhores. Que possibilitariam o desenvolvimento, evitaria enchentes e mal cheiro”, diz José Bueno, arquiteto e co-fundador da iniciativa Rios e Ruas, que continua, “[…] a cidade foi habituada a viver de costas para o rio. Nossa relação com a água é de medo: medo que haja enchente ou medo de que falte água.”

O distanciamento das águas, imposto pela construção da cidade, subtraiu de nosso cotidiano o elemento que conduziu sua própria ocupação no território. Com objetivo de explorar maneiras de reverter tal processo e encarar a relação entre desenvolvimento urbano e a malha fluvial de maneira mais harmônica, o projeto se aproximou do córrego Pacaembu como objeto de trabalho. Durante toda sua extensão apresenta uma síntese das diferentes maneiras que lidamos com as águas.

O Pacaembu percorre três malhas urbanas muito distintas e com usos igualmente diversificados: desde a morfologia orgânica de um assentamento nos moldes de “bairro jardim” planejado pela Cia. City, no qual prevalece o uso residencial unifamiliar de alto padrão, até os grandes lotes industriais na várzea do Rio Tietê, cruzando uma densa área mista e espaços significativos para a vida urbana, como o estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, a praça Charles Miller, a avenida Pacaembu e a Fábrica do Samba.

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Nesta ultima etapa, o projeto se aproximou de uma área pontual, que pudesse representar uma síntese do processo do grupo: o delta do córrego Pacaembu, onde pela primeira vez, o córrego encontra a superfície e logo, deságua no rio Tietê. O local abriga o Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães e a Fábrica do Samba, bem como a Escola Estadual Canuto do Val e o Arquivo Geral do Tribunal Regional do Trabalho (2ª Região). A importância desse espaço já ocupado por diferentes usos que servem a cidade e que portanto, possuem uma força pública, torna essencial e urgente requalificação da área, trabalhando com as preexistências da área, e desenvolvendo um processo de reeducação e conscientização a respeito do tratamento da água no espaço urbano.

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