– + | Grupo 06

 

1ª Etapa

matéria

 

Através da subtração da matéria, procuramos testar suas particularidades e extrair novas significações dela. O processo metodológico foi bem simples. Sobre um cubo de isopor de 15x15x15 cm cada integrante deveria retirar sua matéria com ou sem um instrumento de auxílio. Chegamos então em seis volumes diferentes. Cada um refletia um instinto sobre a matéria de maneira muito pessoal, e com isso procuramos exaltar essa nova característica por meio de uma representação bidimensional e uma outra volumétrica através do seu negativo. Foram feitos moldes de gesso para obtermos a forma do vazio e com isso entender as relações análogas que a matéria ocupa no espaço. Essa tradução nos levou a uma dimensão de ressignificação da substância produzindo um material gráfico e volumétrico que exaltava essas novas “personalidades” descobertas. Em paralelo a isso, também começamos a testar os resíduos que ficaram de nossos experimentos. Como eram partículas menores, resolvemos transformar o que antes veio de um bloco rígido em uma superfície maleável e observar o que poderíamos extrair dessa nova conformação. Obtivemos uma pele de isopor porosa e orgânica que encontrou sua função em filtrar relações com o ambiente.

Ao final percebemos que não estávamos extraindo apenas a matéria, mas também suas atmosferas que relacionavam-se ao imaginário pessoal e coletivo. Observamos que mesmo tendo diversos produtos de fácil reação por sua visualização e tactibilidade, não conseguíamos transmitir o que aquilo representava para nós em sua totalidade. É daí que vem então a intenção da tradução, como meio de comunicar essas metáforas e imaginários de forma mais tangível e chegar assim às nossas atmosferas, locais e programas.

material
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O ato de traduzir

tradução 1 

As sensações não condiziam. O som era ensurdecedor. Escorregadio e áspero ao mesmo tempo, mas definitivamente agudo. Comecei a correr mas logo cansei. O terreno era todo irregular então vi vantagem em andar. Andava devagar e o ruído já não incomodava mais.

Era white noise, fundo de tela.

As sensações não condiziam. Fiquei estirada naquele chão macio por horas ou meses. Às vezes tinha que achar outra posição porque “colchão mole dá dor nas costas”, daí a dor fazia parecer que fiquei deitada num chão cheio de pedra pontiaguda. Conforto vira desconforto.

Revirei.Fiquei de bruços.

As sensações não condiziam. Andava por uma vastidão branca sem fim. Senti um tremor. Era forte, mas não se ouvia. Olhei para trás e uma movimentação de terra avançava como uma onda forte. A onda estava engolindo. Agora eu nadava, nadava mas a respiração afobada não rendia meu nado. White noise. Acordei sob uma frágil manta de neve quente. Dava pra ver o sol através de micro-furos.

O sol estava dissolvido nessa manta, assim como eu.

Tranquila, dormi.

 

tradução 2 

Algo acontece do outro lado.

Está próximo mas não consigo tocar.

Meus olhos forçam uma tentativa de foco

não funciona, a luz me carrega.

Algo está se desfazendo

desprende-se de uma forma

para ganhar lugar

Passa pelos meus olhos agora

leve,

ainda intocável

nos envolve

 

tradução 3

Libertando de uma forma e criando outra, gerando novos rumos e texturas, invadindo a nova linguagem do material a partir da ruptura. Através da lapidação houve uma necessidade com o perfeito, reto, liso, puro, gerando fendas irregulares que possibilitam a entrada da luz e o seu   rebatimento para o entorno criando composições dançante e envolta de cheios e vazios .

Explorando as sobras irregulares e redescobrindo uma nova leitura, gerando uma trama orgânica de ondas de lascas desalinhadas, diversificadas, instável mas ao mesmo tempo nos passando sua solidez e firmeza. Foi  descoberta  uma composição através da junção luz mais ondas, onde os movimentos naturais gerados pelas silhuetas translúcidas e desajustadas das lascas, nos envolvem em uma coreografia de cardumes, que sempre estão juntos formando um escudo.

 

tradução 4

Caves are like pockets of earth. They are all different, but having same adventurous, magical feeling and stunning, sculptural space inside. Looking from outside they are covered by a thick crust and protecting their beauty inside. However the small openings all over its body are letting the light to enter.

The space is not all about the shape. It is much more about the light, the shadows, the smell, the structure, which create the condensation of personal emotions in the space. The shape is the last thing we create.

Lightness and darkness in the space are playing indistinguishably important role creating the mystical spectacle. Hyper-dimensional, edgy shadows are projected on the walls and are circulating through the space like the moving figures in the theater by letting to feel them only by changing its orientation.

 

tradução 5

O processo de debulhar, cortar e lapidar os blocos de isopor gerou como subproduto flocos, esses rodopiavam e dançavam com o vento vindo da janela e com o sopro causado pelo movimento dos braços ou pela expiração dos narizes e bocas assim como os confetes no carnaval.

A adição e mistura de cola e água nessas migalhas de isopor resultou em uma película transparente que envolve milhares de flocos brancos e reflexivos que lembram a farinha de tapioca, cardápio típico durante a festa e também remete as fantasias transparentes e brilhantes utilizadas pelos que participam da festa.

tradução 6

Está escurecendo, chegou a hora de tomar uma decisão, que direçao eu devo escolher? Os caminhos parecem iguais e não sei pra onde levam.

As sombras estão se alongando, me distraindo com a imensidão de brancos e cinzas, eu sei que estou procrastinando mas não consigo desviar meu olhar.

Pra esquerda o caminho é mais plano mas ele curva e não dá pra enxergar muito longe, pra direita é uma grande inclinação e eu só consigo pensar em todos lugares que eu poderia escorregar e cair.

Um vento congelante me gela até os ossos, eu preciso escolher mas não consigo me mover, e sei que nao tenho tempo suficiente para os dois caminhos.

Eu estou com frio, com fome, e não consigo mais sentir meus pés.

Eu acho que vou ficar aqui mesmo, as nuvens são tão bonitas.

 

tradução 7

Está quente, está muito quente

Ela começa a derreter,

O vazio prende uma forma,

achando a sua dimensão

em um espaço indefinido.

Mas, de repente,

a matéria se torna uma lógica estrutural

percebida através da sensação

harmoniosa e orgânica.

Tudo aparece claramente determinado.

E branco, sinônimo de pureza,

retirando toda a sua harmonia

que com um jogo de reflexões de luz

ela se torna infinita.

Infinita como a pureza e sua sensação.

2ª Etapa

 

g06_entrega02_img015 – ensaios sobre o vazio

matéria e atmosferas

g06_entrega02_img026 – ensaios : material, traduções e suas propriedades

 

“Daí o espanto perpétuo, o sonho do homem perante as proliferações da matéria e perante as ligações que surpreende entre o singular da origem e o plural dos efeitos.”

Mitologias

Roland Barthes

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7 – mesa expositiva

O contínuo processo da investigação na matéria vem se desenvolvendo e tomando proporções maiores. O aumento de escala nos permite questionar a tectônica dos materiais utilizados, sua plasticidade e resistência, assim como o aumento da interface que carrega a atmosfera espacial e sua relação com o corpo, que nos induziu a uma abertura da pesquisa de materiais a serem explorados. Através de uma listagem de propriedades observadas e adquiridas dos primeiros experimentos, concluímos que o isopor tem um caráter plástico e translúcido, fundamental para entendermos esses ensaios iniciais.

Em cada etapa que executamos, descobrimos novas técnicas e modos de operar visando deslocar essas espacialidade para os novos experimentos, que se expandiram para o gesso, aresina, o silicone e o bioplástico. Paralelamente, estamos a todo momento questionandonossos instintos e levando em questão a importância de novas ferramentas que nos auxiliam a imaginar e projetar o espaço. É tão irrefutável o desejo de enriquecer nosso repertório metodológico quanto o de encontrar uma viabilidade com o campo prático da arquitetura. Por isso, pretendemos conseguir chegar em um exemplo prático construído onde a experiência entre corpo e espaço discutam novas poéticas em suas relações e interações.

3ª Etapa

 

8 – Propostas de intervenção e suas intenções atmosféricas

maquetes-individuais

img_Ana
Ana
img_Marcelo
marcelo
img_Paloma
paloma
img_Rusne
rusne
img_Noel
noel
img_Julia
julia
img_Marco
marco

 

9 – Proposta-síntese, tradução sensorial

“Entrei num lugar que parecia um laboratório jardim. Era tudo tão natural que no primeiro instante só identifiquei cores e formas. Cercado entre plantas altas e densas, que traziam certo caos a um lugar tão odernado, havia uma mesa com objetos incolores, comuns ao olhos porém distintos ao toque. Pareciam lascas de gelo, pedras pontiagudas. Elementos que invocavam ferramentas. Talvez fossem. Tinham certa leveza ao manuseá-las, ao mesmo tempo que seu impacto ao encontrar aquela massa porosa e branca era forte, barulhenta e chuvosa. 

Ao atravessar essa camada, podia sentir a temperatura aumentar e o som da respiração ofegante mais concentrado. Minha mão conseguia deformar essas paredes mas de um certo modo aquilo tudo segurava o meu peso e eu mergulhava. Olhando para frente havia um foco de luz cada vez mais forte a medida que avançava, mas estava desorientada com toda nevasca em volta. O barulho agudo do atrito entre o gelo de plástico e a massa branca era insurdecedor. O verde ia desaparecendo e a luz cada vez mais intensa.De repente o baque do gelo se tornou mais leve. Arranquei-o de volta e pude ver uma saída, a luz por completo, uma brisa passava.

Com a ruptura, adentrei outro espaço, este por sua vez mostrava-se quase infinito com um céu cheio de núvens, ali dormi.”

10 – Projeto-síntese

intervencao

11- Primeiros testes

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