TEMPO LIVRE – G23

Gabriel Rodrigues Laghi, Cassio Hioji Endo, Jorge Douglas Maia da Silva, Armando Takashi Sato, Natasha Nahsen Rojas

ETAPA 1

ETAPA 2

“Trata-se de tornar visível justamente a finitude, na verdade, não apenas a do homem, masdaquilo que dá ao ser ao homem, do próprio vazio de conteúdo” Martin Heidegger, Zur Sache des Denkens.

LAZER PODE SER DESCRITO COMO O TEMPO DO DESCANSO, DESENVOLVIMENTO SOCIAL E DIVERSÃO, SEGUNDO O TEMPO SOCIOCULTURAL INSERIDO. ÓCIO É O TEMPO ESSENCIALMENTE LIVRE, NÃO SE RELACIONA COM QUESTÕES SOCIAIS, NÃO BUSCA OBJETIVO, POSSUI EM SI A PRÓPRIA RAZÃO DO SEU FIM. TEMPO VOLTADO A QUESTÕES INTERNAS VOLTADAS AO SEU EU, ATUALMENTE O TERMO ÓCIO TEM SIDO UTILIZADO COMO ALGO PEJORATIVO, ALGO VINCULADO AO TERMO VAGABUNDO OU PREGUIÇOSO. DEMONSTRANDO O POUCO VALOR QUE DAMOS A NÓS MESMOS. POSSUÍMOS POUCO TEMPO DE REFLEXÃO PESSOAL, E QUANDO POSSUÍMOS TEMPO OCIOSO NÃO SABEMOS UTILIZA-LO, ACABAMOS FAZENDO ATIVIDADES COM POUCO VALOR, COMO PASSEAR NO SHOPPING OU IR FAZER COMPRAS.

SÃO PAULO E ESPAÇOS CONTEMPLATIVOS

DURANTE O SÉCULO XIX A CIDADE DE SÃO PAULO ERA REPLETA DE ÁREAS LIVRES COMO AS VÁRZEAS E RIOS. O PODER PUBLICO PASSA A COMPOR TAMBEM LOCAIS PARA ATIVIDADES LÚDICAS, ÓCIO E ENTRETENIMENTO. (EX. ANHANGABAÚ, PARQUE DOM PEDRO, PARQUE DA LUZ, ETC.)

NO INCIO DO SÉCULO XX SURGE A PROPOSTA DE SE ERIGIR UMA NOVA CIDADE. A CIDADE PASSA A TER INDUSTRIAS, BANCOS, GRANDE COMÉRCIO E CONSEQUENTEMENTE INTENSO CRESCIMENTO POPULACIONAL EXIGINDO MAIOR FLUIDEZ

SÃO PAULO PASSA A INVESTIR EM CONDOMINIOS, KOOLHAS NOS DIZ QUE SHOPPING CENTERS E A VIDA PRIVADA PASSA A IMPERAR ASSIM OS ESPAÇOS PÚBLICOS SÃO OCUPADAS PELA MARGINALIZAÇÃO QUE NA BEIRA DO SISTEMA FICA A MERCÊ DO ESPAÇO ANULADO.

ETAPA 3

O projeto Parque do Campo Limpo possui como intenção oferecer um espaço de livre uso, sem programas definidos ou qualquer tipo de construção de espaço com função definida (ex. quadras, piscinas, campos de futebol, etc.). Ao invés disso, constrói-se um amplo espaço definido por paredes e desenhos de pisos que conformam uma espécie de labirinto de caminhos e obstáculos, sejam visuais ou físicos.

A intenção do projeto surge a partir do estudo e da interpretação do termo “tempo livre”, estudando-o desde seu surgimento até atualmente. O termo “tempo livre” surge com a revolução industrial e com a modificação do trabalho na época pré-industrial. Até então o trabalho era artesanal, produzido de maneira envolvente e formado a partir do prazer e da criatividade. A partir da revolução industrial surge um novo pensamento de produção e lucro onde se busca sempre o desenvolvimento econômico e a produção das matérias de consumo. É então que o trabalhador passa a ser a engrenagem da grande máquina de produção, encerrando qualquer relação entre trabalho e prazer. Até esse momento não existiam divisões do tempo, o trabalho intercalava-se com o lazer em atividades lúdicas ligadas ao culto, religião e tradição cultural. Com o controle de produção e o mecanismo de gerencia verticalizado das nas indústrias passa a ser necessário existir o controle do tempo. Surge o tempo de trabalho e consequentemente o que se opõe a ele, o tempo livre

Hoje pode-se dividir o tempo como psicobiologico, socioeconomico, sociocultural e o livre. Este último deveria ser usado livremente de maneira criativa, de acordo com o tempo social (valores) e a vida social e pessoal. Atualmente, no contexto do capitalismo de consumo, esse tempo é gasto em compras, shoppings e é pobre de significado.

Dumazedier divide o tempo livre em duas categorias que vou adotar; lazer e ócio. O lazer pode ser descrito como o tempo do descanso, desenvolvimento social e diversão, sendo tudo isso inserido no tempo sociocultural do momento. O ócio deve ser entendido como o tempo essencialmente livre, não se relaciona com questões sociais, não busca objetivo, possui em si a própria razão do seu fim. O ócio é o momento do trabalho natural, voluntário, voltado a questões internas ligadas ao seu eu.

A partir de tal conclusão buscamos construir um espaço livre como o ócio, um espaço onde se perdesse a ideia de tempo como entendemos no contexto em que nos encontramos, um espaço onde pensemos questões de importante valor, aflorados pelas sensações encontradas. Concluímos que queríamos um espaço onde não existissem funções definidas ou métodos de uso. Queríamos um espaço em que o visitante não soubesse exatamente a maneira de utiliza-lo, obrigando-o a pensar a respeito das próprias atividades de lazer, que o fizesse pensar a maneira como este utiliza o próprio tempo livre. Tais pensamentos devem ser trazidos pelos sentidos, nossos sentimentos são responsáveis pelo que pensamos.

O terreno escolhido para implantar o projeto é o do atual Sesc Campo Limpo ocupando também o terreno vizinho onde antes estava a loja Telha Norte. Ao ocupar o terreno da Telha Norte criou-se a possibilidade de cruzar a quadra por dentro do parque. Com isso as pessoas podem utilizar o parque mesmo que não pretendam permanecer. Além disso, a dimensão passa a ser grande o suficiente para receber grandes eventos como shows, festas e festivais de todos os tipos. Buscamos ocupar um espaço que teria a função usual de um Sesc para contrapor questões da utilização do próprio tempo livre. Em um Sesc existe uma ordem programática em é oferecido atividades e as pessoas aceitam as atividades propostas. Existe

uma participação passiva das pessoas sobre as atividades. Buscamos que o contrário aconteça. Queremos que as pessoas desenvolvam suas próprias atividades dentro do parque. O resultado é a participação ativa das pessoas sobre as atividades.

O projeto possui o conceito do labirinto como organizador do espaço. O objetivo de um labirinto é encontrar o caminho certo, o projeto pretende criar a oportunidade para a meditação e a autodescoberta através da interiorização. Tal atitude deve partir da própria pessoa exigindo uma relação ativa sobre seu próprio descobrimento. Para ativar as sensações do visitante concluímos que a melhor maneira é através dos diferentes materiais. O projeto organiza-se em duas camadas independentes, a do piso em que escolhemos madeira, pedra, agua, concreto e árvores como os materiais. E a camada das fitas utilizando como material o metal, vidro, cobogó, madeira e concreto. Essas fitas são construídas de maneira que variam em tamanho e movimento. A conformação dos espaços é feita através das fitas que definem os limites de cada ambiente. A combinação das duas camadas cria sensações. Por exemplo ao construir um espaço onde o piso é de concreto e existem árvores de grande porte fazendo a cobertura como uma grande marquise, em alguns casos como quando a árvore é uma figueira, espera-se que o piso seja quebrado com o tempo pelas raízes da árvore. Ou então ao combinar as fitas de vidro com pigmentos coloridos e os reflexos nos pisos de água, mesclando vermelho, amarelo e azul com transparência.

O projeto pretende reviver a utilização do ócio de maneira positiva e encerrar a ideia de que tempo ocioso é algo negativo. Precisamos reaprender a utilizar o tempo do ócio como ferramenta para construir o nosso ser. Precisamos de espaços livres que aceite qualquer tipo de atividade, intervenção e usufruto.

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