TEMPO LIVRE – G33

Paula Herman, Lais Freitas Damato, Manuela Makhoul Erhart de Barros, Karine Andrea Falk Braz

ETAPA 1

ETAPA 03

O SOM NÃO TEM TERRITÓRIO

O termo “tempo livre” pode ser entendido com um período do dia, semana ou mês de uma pessoa em que ela se dedica a alguma atividade – ou nenhuma – que não seja sistemática. Algo que ela só faça para proveito pessoal, podendo ser voltado ao lazer, e que não necessariamente precise ter algum resultado útil para o sistema vigente. No Campo Limpo, subprefeitura localizada na zona sul de São Paulo, todas as atividades relacionadas ao tempo livre demonstraram ter como ponto em comum a vivência sonora, tanto em locais em que ela é programada – como ONGs e instituições que oferecem cursos de música e dança, muito influentes e presentes no local – e também no espaço público, proporcionado, por exemplo, pela cultura de rap e de funk (fluxo de rua). Mas o som não permeia apenas os âmbitos musicais: está na fala, gerando a comunicação, e na própria natureza, que compõe a paisagem urbana. Exemplo disso é Córrego Pirajuçara, que perpassa por vários municípios, inclusive o Campo Limpo, gerando estímulos auditivos que muitas vezes nem são percebidos. O projeto pretende fazer com que todos esses espaços pré-existentes, servidos por atividades, mobilidade e atrativos que permitem o encontro de pessoas – gerando e gerado por sons – se conecte através do mesmo e se expanda para outros vazios, legitimando e potencializando o espaço público. Um sistema comunicativo que proporcione a expansão desse grito da periferia para o mundo, partindo da premissa de que o som não tem território, portanto se propaga pelo meio até alguma barreira física o impedir de continuar. Esse sistema se organizaria a partir de duas estruturas-tipo: uma matriz, que funcionaria como mensageira, e uma reprodutora, que seria a receptora da informação. A matriz, implantada em uma área onde exista grande confluência de pessoas, e, por conseguinte, uma convergência de vários tipos de sons, teria a função de encaminhá-los para a receptora, implantada em algum vazio urbano, que reproduziria esses sons no exato momento. Poderiam ser música, gravação de voz, uma palestra que está acontecendo, alguma informação ou anúncio que se queira passar adiante, o próprio silêncio ou simplesmente o som da água. É aí que a simultaneidade aconteceria e a conexão do Campo Limpo seria feita dentro do próprio município e para fora dele, para qualquer lugar. Um desvio da atenção visual, que é a mais recorrente dos sentidos, para o nível acústico de uma instalação.

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