PASSAGENS – G03

DIOGO CAMARGO SINATTI, LUCIANA REZENDE LIGEIRO, CLARISSA MOHANY DE ALMEIDA GRAZIANO, NATALIA DE JESUS SANTIAGO

1ª ETAPA

fotos g3

A violência transformada em norma constrói paredes sólidas que cerceiam a atividade do arquiteto e tendem a impedir a superação da crise instaurada no propósito da arquitetura.[…] Nesse quadro, seria preciso romper o cerco ou, então, atravessá-lo.(BUCCI, pág. 113)

Mirar, transpor, invadir e infiltrar. As quatros operações de como transpor o espaço, baseadas no livro “São Paulo, razões de arquitetura- Da dissolução dos edifícios e de como atravessar paredes”, de Angelo Bucci, foram as diretrizes para as preposições aqui apresentadas.

A primeira ação, a de mirar, não designa um olhar contemplativo, mas sim um olhar indicativo para aqueles lugares onde se desdobrarão as outras três operações. Segundo Bucci, esta ação implica em romper barreiras visuais, de forma a permitir que a vista seja contemplada e o terreno analisado. A passagem aqui, é a do olhar com seu entorno, que agora torna-se possível.

Pra compreender a ação de transpor é necessário mencionar a geografia e história de São Paulo. Fundada em morros, a cidade nasceu entre a várzea de dois rios, Tamanduatéi e Anhagabaú. Tal área é caracterizada por um relevo marcante, com diferença de 20 metros em relação à várzea do rio. Bucci usa este dado para determinar a espessura do chão de São Paulo (20 metros) e para dividir “cidade alta”, localizada a cima desses morros, e “cidade baixa”, na várzea. Tranpor, portanto, significa transposição desses dois níveis e união dessas duas “cidades”. Para tal, é proposto a união de pontos pela sobreposição vertical, para “multiplicar” o chão da cidade. Isso indica que os pontos localizados na várzea encontraria a extensão do “chão” da cidade duas vezes. Ao fazê-lo, o que se afirma é a “cidade vertical”.

A ação de invadir busca dissolver a “cidade alta” e a “cidade baixa” transformando ambas em uma única cidade. Ao fazê-lo, se nega o princípio segregador, que transformou a “cidade alta” na parte formal e a “cidade baixa” na informal e excluída. Bucci propõem que esses 20 metros de diferença de nível seja o elemento que una ambas, tornando-se espessura de uma cidade, e não de duas.

Por fim, a ação de infiltrar se depara com a existência dos rios da cidade. Bucci sugere a união da várzea até o patamar de terra firme por infiltrações subterrâneas. Cria-se s imagem de chãos diferentes, um a vinte metros de altura que o outro, mas ambos conectados pelo solo.

Para aplicar as quatro ações aqui descritas, delimitou-se uma área do centro da cidade de São Paulo: Pátio do Colégio, rua General Carneiro, rua Boa Vista, Ladeira Porto Geral e Terminal Dom Pedro II. Tal recorteda cidade exemplifica as contradições dos dois territórios cindidos de São Paulo apresentadas no livro de Bucci.Na área delimitada, a geografia demarca a “cidade alta” e a “cidade baixa”, mas também ocorre com clareza a divisão da cidade informal e formal. As quatro ações nesse espaço se dão assim:

  • Para a ação mirar, é proposta a abertura dos térreos dos bancos virados para a várzea na rua Boa Vista.
  • Para a ação transpor, pretende-se unir a Rua Boa Vista com o início da General Carneiro de forma direta, através de galerias verticais.
  • Pra a ação infiltrar, propõe-se a união da rua dos bancos, a Boa Vista, com a rua 25 de Março a partir da ladeira Porto Geral. Dessa forma busca-se conectar o comércio informal com o formal.
  • Para a ação de infiltrar, imagina-se uma conexão direta do Pátio do Colégio com o Terminal Dom Pedro II por uma passagem subterrânea.

Todas as quatro ações- mirar, transpor, invadir e infiltrar- atuam simultaneamente para realizar a possibilidade de conciliação espacial entre os dois territórios cindidos. (BUCCI, pág. 125)

BUCCI, Angelo “São Paulo, razões da arquitetura- Da dissolução dos edifícios e de como atravessar paredes”. São Paulo, 2010. Editora RG Bolso 6.

 

2ª ETAPA

O início da discussão a respeito do tema “Passagens” foi norteado pelo doutorado de Angelo Bucci “São Paulo, razões da arquitetura- Da dissolução dos edifícios e de como atravessar paredes” e em suas quatro operações de como lidar com o espaço: mirar, transpor, invadir e infiltrar. De inicío, decidiu-se por aplicar tais ações em uma área delimitada no centro da cidade de São Paulo: Páteo do Colégio, rua General Carneiro, rua Boa Vista, Ladeira Porto Geral e Terminal Dom Pedro II. Tal recorte da cidade exemplifica as contradições dos dois territórios cindidos de São Paulo apresentadas no livro de Bucci. Em tal recorte a geografia demarca a “cidade alta” e a “cidade baixa”, mas também ocorre com clareza a divisão da cidade informal e formal.

O segundo passo do processo foi a escolha de uma dessas ações para aprofundamento de projeto.  Decidiu-se pela quarta ação, a de infiltrar, onde Bucci sugere a união da várzea até o patamar de terra firme por infiltrações subterrâneas. Cria-se a imagem de chãos diferentes, um a vinte metros de altura em relação ao outro, mas ambos conectados pelo solo.

 Se imaginava, à princípio, uma ligação direta do Páteo do Colégio com o Terminal Dom Pedro II por um trajeto subterrâneo. Ao longo do processo, porém, apareceu a possibilidade de expandir o programa dos museus existentes no Páteo, criando não apenas uma passagem capaz de transpor níveis (da várzea ao topo da colina histórica a diferença de cota é de 20 metros), mas com programas adicionados à ela. O resultado disso foi um edifício-passagem, que liga a praça Fernando Costa (à frente do Terminal Dom Pedro) com o Páteo do Colégio. Tanto a Praça quanto a área ao redor do Páteo seriam revitalizadas e arborizadas, criando espaços agradáveis de estar, mas também de transpor.

Os programas escolhidos para a expansão o museu foram:

áreas de exposição: permanente e temporária | loja | restaurante | grande auditório | expansão da biblioteca

Do nível do Páteo, uma rampa tornaria possível o acesso ao primeiro nível do subsolo onde estariam localizadas as novas salas de exposição e a loja. Neste mesmo nível também seria possível acessar as criptas do Páteo do Colégio. O acesso para os outros níveis do subsolo acontecem por rampas que desenham todo o perímetro da intervenção. Tais rampas acontecem em quatro níveis, obrigando o caminhar pelo edifício como um todo e criando rampas suaves que contornam os programas que acontecem durante seu trajeto. A seguir das salas de exposição, no segundo nível do subsolo, existe um restaurante. No terceiro nível, um auditório e, por fim, no quarto, uma biblioteca. Esses dois últimos programas têm pé direito duplo. Nesse último nível  (-20 metros) existe um túnel subterrâneo que permite a conexão desses programas com a Praça Fernando Costa.

 Para possibilitar a entrada de luz, dois buracos envolvem esse edifício. Um maior, com parede inclinada potencializando o reflexo dos raios de sol, e outra menor. Esses buracos permitem que aqueles que estiverem ao redor do Páteo, possam observar esse volume enterrado.

 

3ª ETAPA