PASSAGENS – G12

Alexandre Drobac Ferlauto
Lígia Bacellar Zilbersztejn
Lucas Bio Rodriguez
Marina Pereira Secaf

1ª ETAPA

Existem dois diferentes modos de se pensar a passagem: no seu sentido físico e na sua relação com o tempo. Em São Paulo, observa-se um lugar de passagem físico e temporal, um lugar em que essas duas conotações da palavra se fundem: o Viaduto Nove de Julho. Resultante da demanda de ultrapassar a Avenida Nove de Julho de maneira mais rápida e para vencer a sua acentuada topografia, cria-se um edifício que em primeira instância servia para a locomoção de carros na sua parte superior e no seu interior abrigava o fluxo de quatro linhas de bondes e trem.

Essa antiga função do Viaduto projetado pelo programa radial concêntrico de Prestes Maia (que vale acentuar que foi um grande propulsionador da passagem dos veículos na cidade), fora esquecida em São Paulo. Aquilo que abrigaria uma estação de trem e bonde fora deixada em ruínas no tempo. E é nesse ponto que essa passagem se torna também emblemática, pois é uma ruína invisível aos habitantes da cidade.

São Paulo é uma cidade que é fruto dessas sobreposições de planejamentos, de ideais. É como a cidade de Leônia que descreve Ítalo Calvino em Cidades Invisíveis: “O resultado é o seguinte: quanto mais Leônia expele, mais coisas acumula; as escamas do seu passado se solidificam numa couraça impossível de se tirar; renovando-se todos os dias, a cidade conserva-se integralmente em sua única forma definitiva: a do lixo de ontem que se junta ao lixo de anteontem e de todos os dias e anos e lustros”.

Há um enorme fluxo e uma passagem intensa de pessoas e veículos tanto no Viaduto como na Avenida Nove de Julho, porém é possível enxergar que há uma grande dificuldade de passagem entre essas duas cidades conformadas. É como a Bauci de Calvino: “Depois de marchar por sete dias através das matas, quem vai a Bauci não percebe que já chegou. As finas andas que se elevam do solo a grande distância uma da outra e que se perdem acima das nuvens sustentam a cidade. Sobe-se por escadas. Os habitantes raramente são vistos em terra: têm todo o necessário lá em cima e preferem não descer. Nenhuma parte da cidade toca o solo exceto as longas pernas de flamingo nas quais ela se apóia, e, nos dias luminosos, uma sombra diáfana e angulosa que se reflete na folhagem.

Há três hipóteses a respeito dos habitantes de Bauci: que odeiam a terra; que a respeitam a ponto de evitar qualquer contato; que a amam da forma que era antes de existirem e com binóculos e telescópios apontados para baixo não se cansam de examiná-la, folha por folha, pedra por pedra, formiga por formiga, contemplando fascinados a própria ausência”.

O viaduto carrega consigo dualidades: a do passado e presente e a distinção entre cidade alta e cidade baixa. É necessário compreender e apreender suas dinâmicas para entender e ressignificar essa passagem no tempo e no espaço.

 

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2ª ETAPA

A escolha do Viaduto Nove de Julho se deu por este ser um local no qual está presente tanto a passagem em seu sentido físico quanto em seu sentido temporal. Contudo, fica evidente a necessidade de uma intervenção com o propósito de intensificar ambos estes significados. Mesmo fazendo a conexão Nove de Julho – São Luiz, o viaduto em seu interior foi, de certa forma, esquecido.

Sua função original de abrigar o fluxo de quatro linhas de bonde no seu interior foi perdida, apesar de estar espacialmente e visualmente presente até hoje. São raras as pessoas que, ao cruzarem o Viaduto, notam o espaço presente em seu interior, qual era seu objetivo inicial e a história que ele possui. A partir desse espaço disponível cria-se a oportunidade de intensificar a passagem física, criando diferentes conexões atualmente inexistentes, e de retomar a memória desse lugar, utilizando-se desse mesmo espaço.

Esses objetivos foram pensados tanto com base nos fluxos importantes para o desenvolvimento desse espaço e da própria cidade como a conhecemos hoje, quanto com base nas conexões possíveis e necessárias para dar um novo uso e significado para o viaduto. Entre essas conexões podemos citar a ligação entre a Avenida São Luiz e a Rua Álvaro de Carvalho, assim como a ligação da avenida com o viaduto em questão. Também estão presente as conexões transversais às vias com a intenção de facilitar o trajeto do pedestre.

Portanto, a espacialidade particular do Viaduto Nove de Julho, o qual já é um edifício, permite a experimentação de novas formas de acesso, percursos e espaços com o propósito de criar um passeio dentro da própria passagem.

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3ª ETAPA