PASSAGENS – G34

BEATRIZ DIAS, BRUNA MARCHIORI, LUCAS BIANCCHI, STEFAN PODGORSKI

1ª ETAPA

Dada a generosidade do tema atribuído ao trabalho de estúdio vertical no presente semestre – simplesmente passagens –, nossa abordagem inicial foi conhecer dentro do grupo quais as afinidades compartilhadas da também ampla esfera de conhecimento estudada nas áreas de Arquitetura e Urbanismo. O propósito desse exercício foi de nos aproximar de uma discussão na qual nossos anseios convergissem; mesmo que existam discordâncias ao longo da investigação proposta.

Elegemos como metodologia curadorias individuais que remetessem ao tema, e buscando pontos em comum e classificações possíveis, criando um conceito com o qual poderemos trabalhar ao longo do semestre. Dessa forma, não só os exemplos ajudariam a direcionar o escopo da investigação proposta, como também as discussões durante o ateliê conduziram o processo de curadoria.

g34_entrega01_imagem02Além das diretrizes estabelecidas na formulação do tema passagens – relação pedestre x espaço, enfoque na relação espacial, em detrimento da experiência psicológica da passagem do tempo, etc. – criamos elementos conceituais que pudessem guiar nossas decisões na determinação de como intervir. A discussão sugeriu uma série de polarizações que estabelecem uma relação de complementaridade, que buscaremos tensionar através de nossa intervenção. São elas:

obsolescência x ressignificação
físico x psicológico (ou espaço x tempo)
passagem x permanência
determinado x indeterminado

01_conceito_g34Esse “filtro” criado também direcionou nosso olhar na escolha de uma área de interesse, nos levando a designar como objeto de estudo de caso as redondezas da estação Água Branca da CPTM e suas passarelas que costuram a cicatriz urbana formada pelos trilhos do trem.

g34_entrega01_imagem03Ao sobrepôr a essa área as ferramentas conceituais desenvolvidas, nota-se clara predominância de alguns polos colocados: a obsolescência sem ressignificação, a passagem com poucos pontos de permanência, e o indeterminado sem nenhum elemento que organize as relações espaciais com esse trecho de cidade.

g34_entrega01_imagem04Dessa maneira apontamos de maneira clara um modo de orientar as decisões a se tomar ao longo do semestre, através da proposição de uma ou mais intervenções, a serem determinadas nas entregas vindouras.

 

2ª ETAPA

O direcionamento dado na atual edição do estúdio vertical – de trabalhar uma escala mais aproximada, do pedestre – nos permitiu uma abordagem muito rica da área estudada. Os curtos prazos que separam cada entrega impuseram uma escolha talvez até certo ponto arbitrária, por ter um recorte tão amplo – São Paulo – e tão pouco tempo hábil para discutir esse tipo de escolha. Fortuitamente, a área sobre a qual nos debruçamos abriga situações profundamente problemáticas convivendo com ocorrências potencialmente muito ricas. Paradoxalmente, é ao mesmo tempo um lugar extremamente isolado e com um fluxo intenso de pedestres, com limitadíssimas opções de transposição da linha diamante expressa da CPTM.

Buscando manter as situações que julgamos desejáveis à uma área pública, intervimos de modo a facilitar essa transposição da linha férrea, assim como para atribuir um caráter de permanência ainda frágil na região. Com uma taxa de urbanidade reduzidíssima (proporção área loteada privada / área pública), e com boa parte dessa área pública relegada ao trânsito do automóvel, o fluxo de pedestres concentrados nessa passagem torna-se uma área muito rica em potencial. E com o novo Plano Diretor Estratégico em vigor, uma série de intervenções devem ocorrer nas imediações da região de estudo.

Mantendo o mesmo ponto de acesso da atual passarela, prevemos uma rampa, cujos patamares acessam cada um de três níveis no embasamento do edifício que se erguerá no terreno vizinho à linha férrea. Da laje de cobertura desse embasamento uma generosa passarela leva o pedestre diretamente do novo estabelecimento comercial à estação Água Branca da CPTM. Dessa maneira, resolvemos a acessibilidade dessa transposição, abraçando uma praça criada no térreo, com parte do terreno da indústria vizinha cedido à cidade, no lugar de uma construção que cumpre seu propósito de maneira desconfortável e funcionalista.

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3ª ETAPA