PASSAGENS – G36

STELA MORI NERI SILVA, LUIZ FELIPE PRANDINI ORLANDO, GABRIELA FERNANDES PINI, RONAN MATHIEU

1ª ETAPA

g36_entrega01_img01 g36_entrega01_img02g36_entrega01_img03 g36_entrega01_img04 AUGUSTA COMO PASSAGEM

 

Transitar de um local a outro, criar caminhos, costurar o tecido urbano e entender a cidade. A passagem pode parecer um simples percurso, mas é através dela que os diversos fluxos urbanos se sucedem, gerando a dinâmica urbana da cidade. Trata-se de um simples deslocamento que mesmo quando acontece em uma escala arquitetônica, pode influenciar escalas urbanísticas. Uma pequena intervenção que se ressignifica para a cidade.

A proposta de trabalho é estudar a Rua Augusta, analisando a sua importância na cultura e no desenho da malha urbana de São Paulo.

A constante transformação da rua diz muito sobre a história de São Paulo: deslocamento do eixo econômico, conexão do centro histórico com o expandido, surgimento dos shoppings centers, problemática de segurança pública e especulação imobiliária. Diversos foram os acontecimentos que proporcionaram mudanças desde a sua criação até os dias de hoje.

Apesar de caracterizada pelas tipologias de uso misto com comércio no térreo, que contribuem para a sua dinâmica urbana, a Rua Augusta vem sofrendo com a valorização do solo. A especulação imobiliária tem construído edifícios com grandes muros e sem acesso público, são construções que negam a história e o contexto em que se encontram. Os novos empreendimentos possuem um desenho arquitetônico que tira o solo urbano do pedestre e abandona o uso misto, essas construções reprimem o pedestre à medida que os muros negam até a conexão visual com a cidade.

Destoantes do entorno, os novos edifícios estão destruindo a riqueza da Rua Augusta. Esses projetos arquitetônicos ignoram o urbanismo e trazem ameaças à diversidade cultural e à apropriação do espaço público. Certamente o mercado imobiliário fará com que esse modelo de edifício se repita ao longo da via, visto que há terrenos disponíveis para construções novas, como estacionamentos e lotes vazios. Diante dessa problemática, tem-se como proposta para esse trabalho um projeto arquitetônico com potencial urbano que sirva como modelo para novas edificações e que reverta o rumo negativo que o novo desenho de rua está formando.

 

HISTÓRICO

Criada em 1891 para conectar o centro antigo com a Avenida Paulista, a Rua Augusta trouxe mudanças que repercutiram tanto nos usos do centro histórico como na malha urbana paulista.

“Sua importância geográfica de ligação entre os bairros de elite entre si e também com o centro da cidade, foi decisiva para a instalação de equipamentos modernos de transporte, educação e lazer. Esses fatores foram determinantes para que a rua passasse a ter uma importância que iria além do seu próprio bairro e tornando-se importante para o ascendente vetor sudoeste da cidade”. (PISSARDO, Felipe, p.25)

Nos anos 1950 a Rua Augusta começava a se verticalizar. Construções com mais de um pavimento e uso misto – residencial com comércio no térreo – foram essenciais para a história da rua. Numa época anterior aos shoppings centers, era na rua que o comercio ocorria. Tudo isso deu força ao caráter comercial e diversificado da Augusta.

A década de 60 foi marcada por mudanças. A grande circulação de dinheiro trouxe congestionamento de carros e aumento da criminalidade, afastando a elite do local. Assim inicia-se o processo de desvalorização da Rua Augusta. A construção do Shopping Iguatemi, no centro expandido, atraiu grande parte do comércio de luxo e as elites migraram para o espigão central.

A decadência de usos e interesses atraiu bares, casas noturnas e prostíbulos, especialmente para a área mais próxima do centro, o baixo Augusta. Artistas e intelectuais foram seduzidos pelas experiências que esse lugar provia, e começaram a se estabelecer, inaugurando espaços culturais, trazendo manifestações artísticas e políticas, colocando o endereço no centro da cena alternativa paulistana.

A noite agitada continuou atraindo olhares, agora não só de artistas, mas também de jovens e boêmios. A Augusta é uma rua receptiva para a diversidade. O térreo das casas e edifícios antigos se abrem para o intenso fluxo de pedestres, que aumenta no período noturno, mesmo com passeio público de no máximo três metros. A rua é cativante por sua diversidade de usos e público, com seus grafites, restaurantes, lojas, cinemas, baladas, cabelereiros, bares e estilos arquitetônicos. Embora um novo processo de verticalização comandado pela especulação imobiliária, ameace o caráter da rua, substituindo a variedade de diversos lotes por empreendimentos comerciais e residenciais fechados ao público.

   “Tão diversos são os códigos arquitetônicos que se sucedem na sua sequencia viária, que parece nela algum diretor cinematográfico desenvolveu e depois estabeleceu uma frenética montagem, alternada, misturando espaços e tempos diversos, e aproximando pedaços de filmes urbanos rodados em outros lugares. Trata-se, ao invés, de um único plano, demorado, uma sequencia filmada sem cortes, sempre na mesma rua”. (CAVECCI, 2004, p.125)

 

BIBLIOGRAFIA:

PISSARDO, Felipe Neto. A Rua Apropriada: Um estudo sobre as transformações e usos na Rua Augusta. 2013. Dissertacao de mestrado em Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo. 2013.

 

CANEVACCI, Massimo. A cidade polifônica: Ensaio sobre antropologia da comunicação urbana. 2 edicao. São Paulo: Studio Nobel,2004.

 

 

2ª ETAPA

O LOTE COMO PASSAGEM
Da faculdade para o cinema, da pizzaria para a balada ou do cabeleireiro para o bar. Tem sempre gente indo e vindo na Rua Augusta. O significativo trânsito de pedestres reflete o quão atraente ela é para os diversos públicos. Comércio, serviços e equipamentos culturais, de lazer e institucionais ao longo da rua intensificam as dinâmicas urbanas, gerando fluxos peatonais que se espalham para dentro dos edifícios.

Na ultima década se observa um aumento de novos empreendimentos imobiliários. Esses novos edifícios tem se tornado uma ameaça ao caráter atrativo da rua, pois além de não serem tipologias de uso misto com comércio no térreo, criam muros que impedem qualquer conexão com a calçada. Nota-se que esse tipo de construção tem aparecido cada vez com mais frequência, remembrando lotes menores ocupados por sobrados ou estacionamentos e modificando a paisagem.

Também nos chama a atenção a falta de espaços públicos na região, tanto por meio de edifícios, como por espaços abertos, praças, pátios e parques. As calçadas são estreitas para o fluxo existente e não há lugares de permanência que não sejam privados, ainda que de acesso ao público.

O trabalho propõe, portanto, utilizar um terreno com potencial de transformação para criar uma passagem para a rua paralela com espaços públicos generosos. Foi escolhido um terreno ocupado por um estacionamento e que cruza um quarteirão de quase 320m, ligando a Augusta à Frei Caneca.

As principais diretrizes de projeto foram no sentido de criar um espaço fluído, com usos diversos e térreo público. Transitando em diferentes níveis, foi possível criar áreas para feiras, locais de permanência e contemplação, galerias comerciais, bares e restaurantes que tenham uso em diferentes períodos do dia e grandes praças abertas a usos efêmeros. Para reforçar e qualificar o passeio público, mantivemos a conexão visual entre um lado e o outro, criando uma passagem direta para os pedestres.

Os programas construídos foram divididos em dois volumes a fim de gerar um fluxo interno. Quem acessa um dos edifícios é convidado a passar pela praça interna do projeto, pela feira ou pela galeria comercial, ativando os usos e a intensidade de fluxo de pessoas.img1 img2 img3 img4

3ª ETAPA